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Espelho

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E então te vejo. Me olho. Me perco. Desejo. Te quero. Espero. Sinto aquele vazio. Tão frio. E eis que, finalmente, recobro a consciência. Foi um sonho. Ou seria um pesadelo? Amar-te foi meu fardo. Agora, aqui, deitado, questiono meus sentimentos.   Meu amor foi verdadeiro e o seu sequer existiu. Palavras soltas ao vento. As quais, agora, espero que sejam levadas pelo tempo em direção ao esquecimento. Hoje não te vejo, já me encontrei. Ou reencontrei? Não te desejo, não te quero. Esperar jamais. Sobrou apenas o meu olhar para o espelho. As lágrimas, a barba, elas já não estão mais lá. Porém, o olhar vazio e perdido ainda se encontra no mesmo reflexo.   Saio, viro meu olhar e, quando menos esperar, ela estará lá. Alguém por quem nutrirei sentimentos quiçá mais fortes. Novamente me ouso à loucura do amor. Em meio a beijos e abraços, sinto que não sou mais o mesmo. Fujo, corro.   Desejo um coração mais frio. Não po...

Anjos não morrem, voltam pra casa!

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Música: Lilywhite - Luke Sital Hoje passei o dia pensando. Olhando para o nada e tentando enxergar a noite. Imaginei uma grande estrela no céu, a qual eu poderia olhar e dizer: é você, Cintia! Infelizmente o céu estava nublado. Como toda pessoa que ama criar textos e encaixá-los com a verdade, fiquei pensando: porque as estrelas não brilharam nessa noite? Estaria o céu triste? Na realidade, eu acho que sei a resposta. É um pouco longa, eu sei, mas é a verdade. O céu acordou em uma imensa festa hoje, uma festa tão bela e animada assim como você, minha pequena. Só de lembrar do teu sorriso, do teu jeito agitado, da tua alegria sempre presente – até mesmo em momentos tristes –, fico com um sorriso bobo no rosto. Durante o dia, várias vezes senti meus olhos enxerem de lágrimas, mas elas não escorriam pelo meu rosto. Para alguns pode ter parecido frieza, insensibilidade ou o que quer que achem, mas, aqui dentro, eu não queria chorar. Eu não devia chorar. Quando penso na minha mor...

Opções

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Ultimamente tenho me perguntando bastante sobre como lidar com o sofrimento, a dor e tudo aquilo que nos aflige. Quando comecei a me aprofundar sobre o espiritismo, descobri que tudo que passamos nessa vida é reflexo daquilo que fomos e/ou fizemos em nossas vidas passadas. Porém, como ser humano, tais reflexos não são facilmente lidados. Ao perder alguém, ao ser decepcionado, ao ouvir as mais duras palavras, sentimos um verdadeiro vazio em nosso peito. Um vazio que, se não for controlado, torna-se um buraco negro daqueles que acabam carregando tudo consigo, até mesmo os nossos sentimentos bons. Não lembro onde vi tal frase pela primeira vez, mas acredito que ela represente um pouco do que eu sinto: “A dor é inevitável, mas sofrer é opcional!”. Sempre vai haver dor, sempre vai haver alguém que te de desaponte, que destrua teus sentimentos, que sugue toda a sua vontade de viver ou até mesmo que a destrua. Porém, a forma como você vai reagir a essa dor depende apenas de você. É óbvi...

Ame

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Dói. Amar dói. Não importa a intensidade, não importam as pessoas. Nada. Amor é um sentimento egoísta, é a necessidade de querer ter por perto aquele alguém tão especial que te faz sentir bem, feliz. Amar alguém nos torna “patéticos”, como diria Rita Lee, mas eu prefiro dizer que o amor nos dá coragem, nos dá a força necessária para viver, para enfrentar o mundo, se for preciso. Quem me dera amar alguém fosse uma escolha, uma alternativa marcada em uma questão de uma prova com a certeza de que aquela seria a resposta certa. Amar é um tiro no escuro, um tiro com um arco e flecha: precisa de força e precisão. Aliás, não! Deixemos a precisão de lado. Vamos amar! Quem precisa de razão e certeza? Amar é como jogar-se em um rio de cabeça sem a certeza de que vamos batê-la em uma pedra. Amar é sobre correr riscos, é sobre ter a coragem necessária para se jogar rumo ao desconhecido. O amor não precisa de certezas. O amor não precisa ser egoísta. Amar é sobre altruísmo: é querer a felic...

Correr Riscos

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Você já parou para pensar nos riscos que corremos diariamente? Até mesmo nas coisas mais simples, como deitar na cama, beber água ou respirar. Ao deitarmos na cama, ela pode se quebrar, uma madeira pode nos machucar, o teto pode cair, um curto circuito pode se iniciar. Beber um copo com água também pode ser perigoso. Já imaginou morrer engasgado? E respirar? Um simples mosquito entrando pelas nossas vias aéreas e poderíamos morrer – no pior dos cenários. São coisas comumente seguras e que, talvez, por já as termos realizado inúmeras vezes, a possibilidade de um risco parece simplesmente inexistir. Talvez vocês estejam se perguntando se usei alguma droga pesada antes de escrever esse texto ou se perdi totalmente a minha noção com a realidade, mas a verdade é que, em praticamente todas as coisas que fazemos diariamente, corremos possíveis riscos. Pode parecer uma negatividade da minha parte, mas, na verdade, não pretendo fazer uma apologia a isso, mas sim aos riscos, ou, melhor dizendo...

Luzes Acesas

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A chuva caía. O céu se clareava de tempos em tempos com os relâmpagos. Olhou para baixo e viu a água correr. Livre. Dali ele tinha uma visão privilegiada: podia ver os grandes prédios ao longe, os pequenos prédios de perto e a água que insistia em correr forte e livremente. Por um instante, ele deixou todas as preocupações e dores de lado. Enxergou a luz de um apartamento se acender num dos prédios distantes. Começou a fantasiar uma história que ali existisse... Para ele, havia um casal lá. Os dois acabaram de chegar em casa. A mulher era bonita. Tinha cabelos negros, pele parda. O homem parecia alguém comum, um comerciante talvez. Tinha os cabelos castanhos, barba por fazer, óculos e estava um pouco acima do peso. A mulher carregava em sua mão direita uma sacola com o jantar comprado no caminho para casa. Os dois iriam tomar banho, comer, conversar sobre o dia, deitar juntos e assistir a um filme bobo que passasse na TV. Estariam abraçados na cama, contando histórias, rindo do cabel...

Quem nunca desejou amar?

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Sentei no sofá cansado e triste. Olhei ao meu redor e o silêncio era perturbador. Coloquei aquela velha música para tocar. Pela primeira vez em anos eu senti. Senti as forças se esgotarem, as lágrimas caírem; senti meus medos aflorarem, minhas verdades aparecerem, meus sonhos clamarem. Não podia ser! Não naquele momento! Eu queria voltar a não sentir nada – se é que isso é possível! –, eu queria poder não me importar, não sentir, não sofrer... Eu queria não poder amar. Por um instante, senti que duas versões de mim sentaram ao meu lado: o passado e o presente. O passado, com todos os seus sonhos, desejos e amores, me disse para sorrir, para abrir os braços e esperar o que estava por vir. Disse que o amor havia finalmente chegado, que a vida era boa, que o mundo brilhava lá fora, que Deus entalha sorrisos nas flores e que há beijos de amor por toda parte – como li no roteiro de uma peça certa vez. Já o presente, no auge da sua ignorância, da sua frieza, da sua ausência de sentimentos...