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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Borboletas no Estômago



                “O tempo parece ser uma verdadeira armadilha. A tua ausência se faz tão longa. As horas ao teu lado parecem correr. Mesmo com tão pouco tempo, uma eternidade parece existir. O teu olhar, o teu sorriso, pequenos gestos que me fazem suspirar, sentir as famigeradas borboletas no estômago. O medo desaparece, os olhos se fecham, as mãos se apertam – em um encaixe perfeito de dedos.
                Era terça. Dia. Eu chorava. Você surgiu. E como uma pequena tempestade de verão, você me preencheu, ou melhor, me ajudou a me preencher. Fez com que eu encontrasse os meus pedaços espalhados, fez com que eu encontrasse novamente – após tantos anos – quem eu era, quem eu sou, de verdade.
                O primeiro olhar, o primeiro abraço, o primeiro beijo. Os elogios sem fim. As tuas bochechas que coram. O teu dito – por você – coração de pedra amolecendo, tornando-se pulsante. O meu dito – por mim – coração em cacos, tornando-se completo após tanto tempo. Dois corações batendo, um próximo ao outro em um abraço tão apertado que nem mesmo os mais renomados especialistas poderiam explicar.
                Não há explicação para o amor – em nenhuma das suas dimensões. E talvez ele nem precise ser explicado, apenas sentido e vivido. Dentre as inúmeras definições, gosto de um trecho da Bíblia que fora belissimamente adaptado por Nicholas Sparks em ‘A Walk To Remember’ (“Um Amor Para Recordar” – Um dos meus filmes favoritos!): ‘O amor é paciente e benigno, não arde em ciúmes; o amor não se ufana, não se ensoberbece; O amor não é rude nem egoísta, não se exaspera e não se ressente do mal. O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Está sempre pronto para perdoar, crer, esperar e suportar o que vier’.
                A tempestade de verão passou. E ao invés do que muitos acreditam sobre chuvas, ela não destruiu. Pelo contrário, fez florescer. Flores, sorrisos, olhares. Amor. Amor... E agora, anseio incessantemente viver inúmeras outras estações ao teu lado, inúmeras eternidades.
                Era terça. Noite. Eu sorria.