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sábado, 29 de agosto de 2015

Palavras que ferem



                Palavras são facilmente ditas. Dificilmente são medidas. Constantemente ferem. Em meio a um mundo onde palavras tornaram-se poucas, abreviadas, simplificadas com imagens; as poucas ditas ganham um poder ainda maior.
                Palavras são poderosas. Palavras de amor, de ódio, de felicidade, de crítica. Até mesmo a ausência de palavras é capaz de nos fazer entender. E, muitas vezes, é melhor nos calarmos. Palavras mal ditas, palavras malditas, são capazes de ferir imensamente aqueles que menos queremos magoar. Palavras são marcas poderosas.
                Lembro-me de uma parábola sobre um coração de madeira e uma mãe que ali passou a colocar pregos toda vez que seu filho a magoava. Um dia, ao ver o coração cheio de pregos, o filho buscou sua “redenção”. À medida que ele fazia bons gestos, sua mãe removia os pregos. Um dia, o filho, comovido, viu o coração sem pregos, mas cheio de buracos. Por mais que palavras possam ser “desculpadas”, por mais que as pessoas voltem atrás no que disseram, as marcas de uma palavra mal colocada ficarão.
                Desculpas não apagam marcas. Desculpas não apagam palavras. Desculpas amenizam. Palavras são poderosas. Elas podem destruir a alma. Elas podem destruir o amor.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Sobre a bipolaridade do amar



                Existe algo em você que me afeta. Não sei se é o teu toque, o teu cheiro, o teu olhar ou a tua simples presença. “Simples”. Embora esteja tão banalizado, o amor é complexo. Amar alguém é querer jogar-se no escuro e desejar que esse alguém esteja lá com os braços abertos te esperando. Amor é inexplicável. Ele é físico, químico, biológico, ele é intenso e calmo. Sentimento bipolar que consegue nos levar à loucura ou ao sossego.
                Rita Lee cantou que “O amor nos torna patéticos!” e não mentiu. Nos tornamos tolos, bobos apaixonados. Sorrimos com um simples “oi”, um simples olhar ou, até mesmo, uma vaga lembrança. O amor é para os fortes, é somente para aqueles capazes de se arriscar, de jogar-se em um rio sem saber para onde a correnteza os levará. O amor requer força, coragem, capacidade para saber lidar com tudo o que vier. Sem questionamentos.
                Abrir-se para o amor é como andar em uma trilha deserta e esperar que apareça alguém disposto a se juntar a você e buscar um novo caminho, uma nova saída, uma nova vida. Amar é ter o desejo de se incendiar, de se permitir sentir tudo aquilo que você jamais cogitou. Amar é viver o risco de perder alguém. E na falta de alguém para compartilhar o amor, que usemos o amor próprio, a melhor forma de amor existente e que nunca irá nos magoar. 

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Corações Partidos



                Nas poucas vezes que amei tive a plena certeza de que nada é eterno. As palavras, os gestos, as carícias, tudo havia sido em vão. Sim, “em vão”! Desde a infância somos marcados com o “felizes para sempre” e, ao crescer, nos deparamos com a cruel, terrível e dolorosa verdade: não há “felizes para sempre”.
                Lembro que da última vez que me apaixonei eu tive medo, quis correr, fugir, chorar, quem sabe até gritar um sonoro “Não!”. Havia essa vontade e eu fugi. Tentei esconder meus sentimentos, abafar, sufocar. Era o necessário... Por favor, não julguem. Nunca julguem alguém que amou e sofreu por isso.
                Uma vez que um coração foi partido, ele jamais voltará a ser como antes, tão puro e romântico. Os “se” que se implantaram em nossa cabeça passam a nos guiar, sempre nos levando a duvidar de toda e qualquer oportunidade de amor.
                Corações partidos não podem ser recuperados. É impossível que um novo alguém ou simplesmente um novo amor seja capaz de “colar” os pedaços do nosso coração. Aos poucos somos capazes de nos reerguer, de lutar, de tentar novamente. Não julguem as pessoas de corações fechados. Elas apenas estão cansadas de sofrer. 

domingo, 2 de agosto de 2015

De que adianta?



            De que adianta ter todas as dores, amores, temores, todas as flores? De que adianta ter todos os laços, abraços, amassos? De que adianta lutar, privar, conquistar, amar? Os corações partidos, alados, roubados, quebrados, todos eles massacrados por tantos amores e dores. Quiçá eles terão sido todos em vão ou será que, no fim de toda essa história, todos eles terão valido à pena? 
            Não há amores sem dores. Não há dores sem amores. No fundo, tudo é interligado. Somos um ponto em comum entre todos os sentimentos e tormentos que cerceiam o ser humano. Não somos “homens”, somos humanos, animais. Somos todos pontos ligados aos pontos das emoções. Emoções que nos estimulam, que nos movem, que nos fazem sentir, arder, ferver, gozar e que conseguem, mesmo no mais forte ser humano, foder as nossas vidas. É essa a verdade: todos nós, em qualquer momento da vida, seremos fodidos (essa é a expressão) pela nossa coragem, pelo nosso desejo de amar ou, simplesmente, pelas nossas escolhas.
            Vivemos para escolher, optar. E de que adianta termos sempre as nossas certezas se, ao fim, tudo o que nos resta é a morte? Pensem. Esse não é um texto pessimista, mas realista, um texto onde expresso todo o meu descontentamento com as dores, sofrimentos e péssimas escolhas. Viver não se trata de acertos, mas dos nossos erros, das nossas mais estúpidas ações e que, ao fim, vamos tentar mudar para melhorar. Viver é sobre “subir de nível”, crescer – não só fisicamente –. O que seriam dos pais sem terem aprendido com seus pais? O que seria dos redimidos sem os seus piores erros?
            Essa é a verdade, a verdade nua e crua: somos pedaços de papel jogados ao vento. Pedaços em busca de uma corrente de ar que nos guiará para o lugar mais belo ou para o lugar mais fétido. Viver se trata de escolhas, de riscos. De que adianta vivermos em nossa zona de conforto, errando cotidianamente sem reconhecer e/ou mudar em nada com isso? De que adianta viver sem, ao menos, nunca ter chorado? De que adianta viver Emorrer sem nunca realmente ter vivido?