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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Creio que seja o Amor



Hoje senti algo novo, diferente. Senti que aquele vazio de outrora tornou-se desnecessário. Não! Não há mais motivos para sofrer por esse amor tão frio, mesquinho e masoquista. Não há razão para esperar ouvir a tua voz todos os dias. Não há razão para esperar um encontro casual ou até mesmo te ver me esperando em algum lugar.
                – O sinal está fechado, baby! Não há mais saída para nós dois.
                Minhas palavras tornaram-se repetitivas. Agora eu entendo os poetas românticos. Dizem que o amor e ódio se confundem facilmente e acho – ou tenho a certeza? – de que esse é o meu problema: eu amo odiar você. Ou eu odeio te amar? Não sei. Perdi as contas das quantas vezes me questionei acerca disso. Tudo parece estar tão confuso, frio e escuro que a única saída que vejo é fugir. Fugir de um amor tão devastador que, ao mesmo tempo que me impulsionou, jogou meus pedações em várias direções. Agora, sozinho, saio procurando partes de mim, tentando me consertar para seguir em frente.
                Insistimos em dizer que aprendemos com os nossos erros, mas não com os erros do amor. Acho que essa é a maldição que cerceia os românticos: por mais que soframos por amar alguém, vamos esperar algo a mais. Vamos esperar aquele amor feroz, doce e vulgar que nos faça tremas as pernas, acelerar o coração, respirar fundo, arrancar as roupas e ser feliz sem olhar aqueles que nos critiquem ou se incomodem com a intensidade desse amor.
                Tantas coisas nos dizem. Tantas palavras, tantos conselhos, tantos ditados populares e todos eles perdem a razão e o sentido quando há o amor. É. O amor existe. E por mais vezes que eu quebre a cara, por mais vezes que eu sofra, vou buscá-lo. E se eu não encontrar um amor de verdade? Bem, pelo menos eu morrerei tentando. 

"In another life
I would be your boy
We'd keep all our promises
Be us against the world
In another life
I would make you stay
So I don't have to say
You were the one that got away"

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Três



“Passaram 3 dias. Ou seriam 3 meses? 3 anos? Não sei. Acho que a contagem foi pausada no dia em que parei de sofrer, no dia que parei de pensar em você com todo o meu amor. Creio que esse foi o dia em que desisti de tentar pelo ‘You and Me’. Lembra?
Dia desses fui ao lugar do nosso primeiro encontro – não fui para me lembrar de você –. Lá lembrei de como você estava linda naquela noite (a cor preta realça tanto os teus olhos e o teu cabelo). Passei pelo lugar do nosso primeiro abraço (aquele abraço tão gostoso e apertado), o lugar onde, pela primeira vez, eu senti o teu cheiro, aquele cheiro que ficou marcado na minha roupa por alguns dias e que eu conseguia sentir sempre que quisesse. 
Se eu pudesse voltar no tempo, creio que não cometeria os mesmos erros. Acho que é para isso que as decepções servem: para nos alertar, para nos fazer pensar melhor. Dizem que os amantes são tolos, ingênuos, cegos. E eu concordo. Quem ama fica cego, enxerga apenas aquilo que quer ver. Hoje, pela terceira vez, você me procurou. Hoje, pela terceira vez, vi teu jeito doce e meigo e não reconheci mais a pessoa pela qual eu me apaixonei perdidamente. Hoje, pela terceira vez, eu enxerguei em alguém a decepção em sua forma mais fria e cruel. Hoje, pela primeira vez, senti que aquele teu ‘carinho momentâneo’ nada mais era do que uma carência existente, um vazio o qual você buscava preencher. Hoje, pela primeira vez, eu te enxerguei sem a esperança de um ‘E se?’. Hoje, pela primeira vez, eu vi que tudo o que passou não foi tempo perdido, não foi um castigo. Hoje, pela primeira vez, eu constatei – não somente da boca pra fora – que eu não mereço isso. Hoje, pela primeira vez, eu vi que não te amo mais. Acho que lembrei! Faz 3 minutos que coloquei um ponto final na nossa história. Faz 3 minutos que esse texto deixou de ser um lembrete ao nosso primeiro ‘oi’ ou ao nosso ‘primeiro beijo’. Faz 3 minutos que esse texto tornou-se o nosso ponto final. Faz 3 minutos que esse texto tronou-se o meu ‘Feliz Para Sempre’.”

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Máscaras


"Música alta, corpos saltitantes, mãos entrelaçadas, lábios colados e todos param ao te ver entrar. Os cabelos ruivos em contraste com a negra máscara. Teu corpo levemente desenhado – curvas tão realçadas –, o sorriso estonteante, tão misterioso... Paro, olho, observo. Teu corpo em direção ao meu. Minhas mãos gelam. Eu não posso! Vejo teu sorriso e o olhar dissimulado por trás da negra máscara. Tua mão em direção a minha e, mais uma vez, jogo-me aos devaneios impensáveis da paixão.
Quando dou por mim, estamos no meio do salão. Nossa dança é observada por todos. Haveria algum espetáculo? Teu sorriso está mais próximo e continua tão belo quanto antes.
– Porque foges de mim? – Ela perguntou.
– Não sei. – Respondo nervoso.
– Você tem medo?
– Não.
– Então por que fugir? – Ela sorri, como se constatasse alguma verdade absoluta.
Não havia razão para fugir dos olhos por trás da negra máscara. Não havia razão para tanto medo, para tantos segredos. Se hoje sou quem sou, sou fruto do passado, do nosso passado.
– Quero ficar com você! ­– Imploro, peço.
– E o seu medo?
– Eu não tenho mais medo.
E então ela me beija – sempre tão petulante e altiva –. Todos ao redor nos observam, perplexos. Ela se afasta e tudo o que vejo é um vazio. Um imenso vazio. As pessoas ali nunca estiveram, ainda mais naquele quarto tão pequeno. Não há dança, não há máscaras, não há a mulher por trás da negra máscara. Não mais. Tudo o que me restou foi apenas aquela máscara em minhas velhas mãos.

Devo estar louco. Sou louco há sete anos – quando vim “viver” nesse hospício –. Acho que sou louco desde que me entendo por gente. Hoje algo parece estranho. Ainda tenho aquela máscara em minhas velhas mãos ensanguentadas. A máscara é real. Ela existe. Creio que essa seja a morte, mas eu não a temo, nunca temi. Vejo Rebeca em minha frente. Ela sorri e me ergue a mão como na noite do nosso primeiro beijo. Ela me segura fortemente, como fiz na hora da sua morte. Agora não estou mais louco, estou jovem. Agora não estou mais só, estou amando. Agora não estou mais tão morto, agora eu vivo."

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Cacos


Certa vez me julgaram por ser tão racional. Em troca respondi: “Sou um emocional que aprendeu a mentir sobre a racionalidade!”. Sim. É impossível sermos completamente racionais, é impossível que nunca tenhamos a atormentadora vontade de querer tentar, de querer se jogar, a vontade de, ao menos uma vez na vida, agir por impulso, mergulhar numa paixão, tentar compreender o que é aquilo que todos chamam de amor.
Querer, desejar, amar alguém é saber colocar não as prioridades do outro diante das suas, mas agir em conjunto: dividir sonhos, desejos, medos, alegrias, angústias e tudo mais que houver. Amar não é querer que o outro peça perdão por tudo. Amar alguém é aceitar essa pessoa com todos os seus defeitos e qualidades.
“O amor é para os fortes!”, disse-me uma grande amiga quando falei – do auge da minha “racionalidade” – que o amor era para os fracos. Para amar é preciso saber calar, compartilhar, buscar entender alguém e até mesmo enfrentar e mostrar suas vontades. Amor é transcendental. Amar é para os fortes. Amor é egoísmo de primeira pessoa do plural. É desejar tudo de melhor ao “nós”. Os “ditos racionais” são aqueles que pensam demais no “eu”. Não os julgue. Eles sabem amar. Só estão juntando os cacos das “n” vezes em que sofreram por amar demais. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A Corrida do Tempo


E em meio a morte, vemos que somos tão frágeis, tão vulneráveis. A morte é uma faca de dois gumes. Por um lado temos a sua incerteza – de que a qualquer momento ela pode chegar – e por outro temos a sua certeza – a de que ela sempre virá –. Quando alguém morre, seja esse alguém distante ou próximo de mim, sinto um abalo tão forte. Acho que é normal isso. Afinal, eu sou humano. Porém, para amenizar esse meu eu-sentimental, tento pensar em todas as coisas boas que aquela pessoa viveu: suas amizades, seus relacionamentos, seus momentos felizes, até mesmo os momentos em que a tristeza tomou conta e ele/ela fez disso algo maior, um motivo de força.
A morte volta e meia aparece e nos diz que está aqui. Ela quer se manter presente, deixando claro que não importa se somos jovens ou velhos, se somos filhos ou pais, amantes ou amados. Ela virá como um feroz lança-chamas em meio à chuva. A morte nada mais é do que é a lembrança de que, independente de nossas alegrias e/ou tristezas, de que, por mais que nossas vidas sejam perfeitas, temos de buscar viver todos os dias. Viver não somente por nós, mas por aqueles que amamos e não tiveram tempo suficiente de usufruir tudo aquilo que nos é possível e que desejamos

A morte é apenas um lembrete. Um cruel lembrete. Um lembrete de que a felicidade está na nossa porta. Um lembrete de que o tempo corre e que, algum dia, de uma forma ou de outra, será a nossa vez. Você já pensou no que quer viver pelo resto da sua vida? Ou melhor, o que você quer viver por hoje? 

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Olhares

Cena da série "How I Met Your Mother"

Um ano. Alguns dias a mais ou a menos. Não importa. Há um ano eu te vi pela primeira vez. Você estava sentada ao lado de um amiga e ouvi um cochicho teu falando sobre o “garoto que está chegando”. Na mesma hora eu olhei e foi quando nossos olhares se cruzaram. Como eu queria guardar aquele momento... Não lembro qual a roupa que você usava, como seu cabelo estava arrumado. Nada. Bastou um simples olhar teu para que nada mais ao redor fizesse sentido, apenas nós dois.  Como você estava linda... Ou melhor, como você é linda! 
Lembro que, no decorrer dos dias, passei a te olhar constantemente. Por vezes você retribuía o olhar e virava o rosto quando percebia. De longe pude perceber pequenas coisas sobre você... O jeito doce, meigo, atrapalhado... Acho que daríamos uma boa comédia romântica. 
Em toda a minha vida, nunca passei por situação parecida. Dizem que os amores “platônicos” são os mais belos e perfeitos pelo simples fato de não levarem mágoas, de serem mágicos o suficiente para permanecer em nossa memória. Certa vez, em um seriado, uma personagem disse: “O momento mais importante de um beijo são os segundos que o precedem!”. É a mais pura verdade. Os segundos antes de um beijo (de amor) são os mais emocionantes, são aqueles onde nada é preciso, onde nossos corações aceleram, nossas mãos gelam e nós ficamos levemente desnorteados.
Um ano atrás você me resgatou das sombras na qual eu havia me colocado. Um vazio sem esperanças e sem perspectivas de amar ou de encontrar algo parecido. Agora, em meio a mais uma escuridão, sinto teu olhar me iluminando, puxando-me de volta. Como o olhar de um anjo. Eu queria te abraçar, te beijar, correr em sua direção, assistir a um filme idiota contigo, te amar e, quem sabe, te fazer feliz por toda uma vida. Eu faria tudo isso. Eu teria toda essa coragem. Se eu ao menos soubesse o teu nome...