Páginas

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Presente de Natal



                “Querido Papai Noel, obrigado pelo meu presente. Aliás, o senhor caprichou no presente desse ano hein?! Chegou na hora certa, com a intensidade certa, com tudo no mais perfeito lugar. Quem diria que justamente o senhor iria me presentear com um amor hein?!
                Eu achei que tivesse sido um mau menino – dada as últimas circunstâncias –, mas o senhor surge e me dá um belo presente. E que presente! Um dos sorrisos mais belos que já vi, um dos abraços mais apertados que eu já recebi, um dos olhares mais sinceros que já tive. O beijo mais doce, mais leve, com a intensidade medida na frequência correta – se bem que intensidade e frequência são grandezas diferentes, mas não quero ser tão racional –, tudo tão perfeitamente calculado que chega até a assustar. Foi justo ali, onde eu menos esperava encontrar, no presente mais afastado, que eu encontrei tudo aquilo que eu precisava, ou melhor, tudo aquilo que eu merecia.
                Não sei se isso que aconteceu agora foi destino, sina, carma, algo escrito nas estrelas. Não sei se foi presente divino ou um presente de Papai Noel, do Coelhinho da Páscoa ou do que quer que seja. Parei de me questionar tanto sobre as origens dos sentimentos, das coisas que vêm do coração. Parei de buscar maneiras de terminar histórias, de fugir delas; parei de imaginar supostos finais que terminariam em lágrimas. Parei de tentar seguir tanto a razão. Ou melhor, o medo que vem de tanto se pensar.
                Querido Papai Noel, se foi realmente você que me deu esse presente de Natal; então eu te digo: esse foi o melhor presente que eu recebi nos últimos anos!” 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Dois Corações



                Era uma vez um coração assustado. Era um coração grande, machucado, ferido, que se escondia incansavelmente perto de dois pulmões saudáveis. O coração, abatido, chorava horas e horas por um antigo amor. Ele tentava se reerguer várias e várias vezes, mas parecia estar numa roda gigante que nunca parava e nem o permitia descer.
                Era uma vez um coração assustado. Ele era um coração tão medroso que tinha medo da tristeza e da felicidade. Fugia na felicidade com medo da tristeza, fugia na tristeza em busca da felicidade. Era um coração meio masoquista o danado, mas sabia o que queria: viver uma história que o fizesse sorrir. Não precisava durar uma vida inteira. Quem sabe um verão ou inverno? Um dia, dois ou, até mesmo, três?
                Era uma vez um coração assustado. Ele costumava correr para as montanhas em qualquer chance de felicidade e era lá onde ele se refugiava quando estava triste, para onde ele fugia. Coração bobo, infantil, imaturo, que carregava consigo tanta vontade de viver, mas um medo implacável que ele não conseguia controlar. Pobre coração!
                Era uma vez um coração assustado. De tanto se isolar, ele sentiu a solidão. Ficou completamente só, destruiu sonhos, perdeu amizades, fugiu do amor e se afundou na dor, uma dor tão profunda que ele não conseguiria suportar sozinho; mas ele teve que aprender a fazer isso. Em meio à solidão, esse coração encontrou abrigo em si mesmo: ao lado daqueles dois pulmões saudáveis.
                Era uma vez um coração assustado que se reencontrou aos quarenta e cinco do segundo tempo. Reencontrou-se em si mesmo. Um coração que tanto buscou a felicidade fora dele que acabou encontrando-a onde menos esperava no final das contas. E foi assim, com a felicidade em si, vinda de dentro dele, que ele conseguiu se permitir. O velho coração assustado reencontrou um outro coração assustado – um coração conhecido –, tão assustado como ele e que havia se isolado da mesma forma por motivos semelhantes.
                Era uma vez dois corações assustados, medrosos, que, cansados de sofrer, encontraram a felicidade neles mesmos e resolveram compartilhar aquilo tudo um com outro. Era uma amizade, carinho, paixão, amor, o que fosse. O que importava para aqueles dois corações assustados não era o rótulo criado para os seus sentimentos um pelo outro. O que importava para aqueles dois corações assustados não era o medo do passado nem do futuro. O que importava para aqueles dois corações assustados era poder ouvir as batidas do outro quando eles se encontravam num abraço apertado quase esmagador. O que importava para aqueles dois corações era apenas a presença, o “poder contar”, o carinho.
                Era uma vez dois corações assustados que encontraram neles mesmos o que precisavam.
Era uma vez dois corações assustados que encontraram um no outro o que eles mereciam.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Querido Papai Noel

Foto tirada por mim em dezembro de 2014.


“Cansado, ele tirou a roupa que trajara durante todo o dia. Como toda armadura, aquela era pesada, quente; mas ele sentia prazer naquilo. Vestir-se de Papai Noel tornara-se um desejo, uma vontade que gritava tão alto que o fizera deixar seu mês de férias como o mês do Natal – não por parentes ou amigos, mas pela emoção de usar aquela roupa e levar alegria para algumas pessoas no meio das ruas.
Raul sabia do trabalho árduo. Passava os dias nas ruas com alguns pequenos presentes – uns feitos por ele, outros comprados em lojas baratas –, ele também levava flores e entregava para algumas das pessoas que passassem por ele. Não precisava ser criança, não precisava pedir nenhum presente de Natal; ele apenas fazia aquilo que o seu coração mandava. Fazia com amor, paixão, satisfação e, acima de tudo, gratidão. Raul era um bom homem, sorria para todos, arrancava sorrisos tão enormes quanto os dele. Porém, no fundo da sua alma, havia algo escuro, algo que encobria o seu sorriso e somente poucas pessoas conseguiam enxergar.
Ele tomou seu banho, comeu, vestiu uma roupa qualquer e sentou-se no sofá. Era véspera de Natal. De sua casa ele podia ouvir os gritos comemorativos, as músicas natalinas, o cheiro da comida que invadia o lugar e o fazia pensar, refletir e, até mesmo, chorar. Foi então que Raul buscou uma pequena caixa de madeira. Abriu-a em seu colo e sentiu novamente aquele cheiro de lavanda. Ali havia uma flor seca, uma carta e uma foto. A flor fora a primeira que ganhara daquela mulher que tanto amou. A foto fora a que marcou um dos dias mais felizes da sua vida. A carta era a lembrança do dia que ela o deixou. Nela, agora, as palavras pareciam apagadas, totalmente desconexas, sem sentido. Não havia motivo aparente para o fim. Ele havia feito tudo da forma mais correta possível: amou, não traiu, compreendeu, escutou, cuidou; mas se esquecera do mais importante: enxergar. De tão cego de amor, Raul sequer enxergou que a mulher da sua vida não era mais a mesma.
Flávia partiu deixando as palavras de que “não se sentia mais feliz e que não conseguia amá-lo mais”. Seu coração tornou-se uma incógnita. De dia, ele era frio, um homem fechado que chegava ao trabalho, não cumprimentava quase ninguém – exceto o porteiro, um amigo de longa data – e fechava a cara para toda e qualquer piada que os homens pudessem fazer. Ele não sentia prazer em conversar com ninguém. Calou-se para a vida. À noite, ele tornava-se o seu verdadeiro eu: chorava, pensava em “n” formas de como acabar com o seu sofrimento – seja na vida ou na morte –, mas de nada adiantava. No fundo, Raul ainda acreditava que a felicidade podia bater a sua porta, que a mulher da sua vida podia aparecer novamente, sorrir, pedir perdão e pular nos seus braços. Todas as vezes que batiam na porta de sua casa, seu coração se enchia de alegria, como se ela ali viesse uma vez ou outra, desse-lhe esperanças e então voltasse atrás. Porém, ela não faria isso. Ela não o magoaria intencionalmente.
Véspera de Natal. Sete anos antes. Ele chegara em casa do trabalho e lá estava aquela carta. Desde então, suas noites de Natal foram as mais tristes possíveis. Nada de festas, nada de amigos e/ou parentes. Ninguém. Enquanto ele chorava e se afundava nos mais profundos vícios, nenhum dos seus amigos ousara perguntar sobre o seu estado. Alguns perguntavam, mas em nada se propunham a ajudar, soltavam um “vai passar!”; outros apareciam quando bem lhes entendia e Raul tratava de mandá-los embora. “Oportunistas! Interesseiros!”, era o que ele vociferava para todos aqueles que o buscavam pedindo algum favor. Foi então que, poucos dias após a partida do seu grande amor, ele fora surpreendido por uma pequena garota de rua que entregara em suas mãos uma flor, uma flor tão bela como a que estava naquela caixa. Uma flor que ele guardara em outro lugar tão especial quanto aquele. Naquele momento, quando Raul pensou que a vida jamais iria sorrir para ele, que ele fora surpreendido. Havia um sorriso enorme estampado no mundo, um sorriso maravilhosamente belo. Ele sabia o que faltava em sua vida: um motivo. Passou o ano seguinte juntando dinheiro, comprando presentes, cultivando flores que haviam sido filhas daquela que ele recebera da garotinha. E então a magia se fez.
Por mais que houvesse a tristeza em sua vida, Raul encontrara o motivo que faltava para viver. Todas as vezes em que os pensamentos ruins invadiam a sua mente, ele se lembrava daquela garotinha, se lembrava de como poderia arrancar sorrisos tão belos quanto o que lhe fora arrancado naquele dia.
Agora, sentado, sozinho em sua casa, Raul mais uma vez questiona-se se aquilo realmente vale a pena. De que adianta arrancar sorrisos e mais sorriso se nele faltava justamente o que ele queria levar: felicidade e amor? Já passava da meia noite. Entre os últimos goles de uma garrafa de whisky, ele ouviu os gritos das crianças com seus presentes deixados por Papai Noel. Um misto de alegria e tristeza inundou tomou conta dele. Um sorriso, em meio às lágrimas, se fez presente. E então, como uma doce criança que espera o seu presente de Natal, ele olhou pela janela, sorriu para o céu; mas dessa vez não pedira a Papai Noel para ver novamente o sorriso da mulher que ele amava porque, após sete anos, seu desejo havia se realizado no meio da rua, ocasionalmente, sem expectativas e sem ela o reconhecer. E dessa vez, diferente de todos aqueles anos anteriores, ele apenas pediu para que fosse amado mais uma vez.”

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Diálogo de um amor ferido



                “– Então quer dizer que você me ama? – Ela indagou.
                – Amo. Amo com todas as minhas forças. Eu sou extremamente apaixonado por você.
                – Que lindo! Você me faz sorrir quando diz isso. – Pude ver um sorriso bobo se formar no rosto dela.
                – Não é lindo. Não é lindo amar você.
                – Por que não?
                – Porque não é bom amar quem não ama a gente, quem não cuida da gente. É bom amar alguém que nos trate com valor, que nos respeite, que não pense que nos tem na hora que quiser. É bom amar alguém que, mesmo não te amando, te respeite; que diga o que quer que seja, que aquele é o momento errado, o lugar errado ou, até mesmo, que você é a pessoa errada. Não é bom amar alguém egoísta, alguém que só pensa em si e que só te procura nas horas em que a mente está confusa. Não é bom amar alguém que volta de tempos em tempos, diz que ‘gosta’ de você, te assombra e então some, diz que não deveria ter falado aquilo. Dói você amar alguém inconstante. Dói você sentir seu coração ser arrancado do teu peito todas as vezes que pensa nela. Dói você saber que estragou momentos, oportunidades e, até mesmo, a sua própria vida. Dói saber que as mentiras ferem mais do que parecem. Dói você amar alguém que acha bonito que a amem, mas não é capaz de te dar a distância segura pra não te machucar. Dói amar alguém tão infeliz a ponto de te fazer sofrer. Dói amar alguém que não se importa contigo. Dói você se olhar no espelho e ter vergonha de amar aquela garota que tanto te feriu, mas que você não consegue esquecer. Dói amar você.
                Ela calou-se. Pude notar a sua respiração ofegante – assim como a minha –, o seu olhar assustado. Ela, com a voz meio embolada, falou:
                – ‘Fazer mal’ é subjetivo. Como você pode ter tanta certeza de que me ama se eu te faço tanto mal?
                Agora fui eu que me calei. Respirei, olhei no fundo dos olhos dela, segurei o choro e completei:
                – Porque mesmo me fazendo tanto mal, eu ainda amo você. Quando a gente ama alguém de verdade, a gente ama os seus anjos e seus demônios; e eu infelizmente vi essas duas faces tuas.
                – E não custa tentar?
                – Não. Eu tenho medo.
                – Medo? Que medo?
                – De amar você.”


domingo, 6 de dezembro de 2015

A Resposta da Ninfa ao Pastor – Walter Raleigh

Cena do episódio 8 da sétima temporada de The Vampire Diaries!


Recentemente ouvi um trecho dessa poesia em uma das mais belas cenas que existiu em "The Vampire Diaries" e que marcou o desfecho (trágico) de uma personagem que (mesmo sendo cruel) acabei me encantando pela intensidade. É uma poesia do escritor britânico Walter Raleigh!

Se jovem fosse toda a gente e o amor,
E a verdade na boca de cada pastor,
Cada um destes prazeres me levaria
A ir ser teu Amor em tua companhia.

Mas ao redil o Tempo recolhe o rebanho,
Quando o rio brame e esfria o rochedo,
É quando Filomela fica como os mudos
E o resto se lamenta de cuidados futuros.

Murcham as flores, e o viço campestre
Ao indócil Inverno logo se submete:
Uma língua de mel, coração sem amor,
Primavera de desejo, Outono de dor.

Os teus vestidos, sapatos, canteiros de rosas,
Tua boina, saia, flores preciosas,
Breve quebram e murcham – esquecidas são,
A loucura é completa, perde-se a razão.

Teu cinto de palhinhas e rebentos de hera,
Tuas fivelas de coral e botões de âmbar –
Entre todos eles nenhum me levaria
A ser teu Amor em tua companhia

Se se fosse jovem e o amor gerasse sempre,
Alegrias sem data, velhice não carente,
Por estes prazeres, minha alma decidia
Ir ser o teu Amor em tua companhia.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Barreira de Sentimentos

Cena do episódio 10 da 5ª temporada da série "Once Upon a Time"


                Por mais que as palavras queiram sair, elas tornaram-se difíceis. Escrevo linhas e apago. Tomo o caderno em minhas mãos e rasgo algumas folhas com poucas coisas escritas. Nunca entendi meus bloqueios criativos. Acho que, por eu nomeá-los assim, nunca reparei que é justamente nesses momentos em que mais quero criar. Ideias e mais ideias, sonhos e mais sonhos; tantas coisas capazes de se tornarem grandes textos e histórias, mas que, por algum infeliz motivo, acabaram ficando presas na minha mente.
                Aos poucos fui analisando – me analisando – e tentando buscar a causa de tal bloqueio. Foi então que, após algum tempo, descobri que não se tratava de um “bloqueio criativo”, mas sim de um bloqueio de mim. Não sei se por medo das boas ideias – pelo fato de tanto me cobrar e considerar necessária a opinião de outras pessoas – ou por medo de elas terem surgido inspiradas em mim.
                Nunca fui bom para falar de mim. Não sei me definir, me elogiar e resumo minhas características da forma mais simples possível. Não falo meus problemas, não exponho meus sentimentos, minhas mágoas; nada. Acho que, por isso, tornei-me um depósito de sentimentos não só meus. Acho que assim eu acabei criando em mim uma barreira de sentimentos. Tornei-me o ombro amigo, o bom ouvido e então, quando mais precisei, todos os ombros se afastaram, todos os ouvidos se fecharam e até mesmo eu fui incapaz de me ajudar. E então disseram que era drama, que era loucura, que era apenas “coisa da minha cabeça”. E no momento em que mais precisava de um abraço – não de alguém para me aconselhar –, eu ouvi inúmeros “Vai passar!”. Não ia passar tão fácil.
                Foi ali, quando vi as últimas páginas serem escritas, quando vi as pessoas me usarem, partirem e me partirem, que eu vi que eu era o culpado pelo meu próprio fim. Os ouvidos abertos, os braços disponíveis, os “nãos” não ditos, os “sims” malditos. Eu havia me permitido ser o coadjuvante da minha própria história.
                Algumas pessoas – na mesma situação que eu – desejariam o poder de voltar no tempo e mudar o que aconteceu. Porém, eu não mudaria nada do que passou. Todos os erros e mágoas e amores e traições fizeram de mim aquilo que eu jamais pensei que eu fosse e o oposto daquilo que eu queria e pensei ter me tornado. Eu não havia me tornando o “eu frio e forte” que pensei; mas acabei sendo melhor do que eu sempre fui: um “eu” com um coração pulsante, em brasa, e capaz de enfrentar qualquer desafio ou desapontamento. Por mais que eu odeie fazer elogios, principalmente para mim, hoje faço questão de me olhar no espelho e dizer em alto e bom som para todos aqueles que quiserem ouvir pela primeira vez em muito tempo: eu me tornei a melhor parte de mim e eu tenho o maior orgulho disso.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Finais Felizes



                Sempre acreditei em finais felizes. Podem me chamar de tolo, idiota ou utilizem o adjetivo que melhor se encaixar, mas acreditei – e muito! Sempre acreditei que, ao final de uma história, mocinhos seriam beneficiados por suas boas ações e teriam seus finais felizes ao lado dos seus amores ou com uma viagem ou com a realização de um sonho. Os vilões seriam castigados, punidos severamente. E assim, ao final de uma bela cena, surgiriam as palavras “The End” ou “Fim” – não importa.
                Aos poucos passei a enxergar a vida com outros olhos. Passei a ser “pessimista”, como minha mãe prefere dizer; mas prefiro utilizar a palavra “realista”. Passei a acreditar e enxergar que não existem finais felizes. As histórias que possuem “finais felizes” foram feitas para serem vendidas com o intuito de iludir ou de dar um simples vestígio de esperança para aqueles que já perderam a fé em tal utopia. Não são reais.
                Não existem finais felizes. Não existem histórias que acabem com finais perfeitos, com vilões humilhados e mocinhos alegres. Não existem finais. Aliás, acho que o único final que exista é a morte.
Somos enganados durante toda a nossa vida com a ideia de um “final feliz”. Porém, o que viria depois daquele final?! O que viria depois do casamento da Branca de Neve com o seu príncipe encantado? O que viria depois de a Chapeuzinho Vermelho se reunir com sua avó? O que virá depois dos momentos em que pensamos ser as pessoas mais felizes da face da Terra?
                Todas as histórias que vemos e ouvimos com tantos “finais felizes” se encerram ali, naquele momento, onde todos os personagens e leitores/ouvintes acreditam que nada mais poderá abalar tal felicidade. Não existem finais felizes. A vida não é doce e alegre como nos filmes. Haverá sempre alguém disposto a nos puxar o tapete, a nos trair, a mentir, a iludir, a ludibriar com algumas doces palavras de amor ou de amizade; e, mesmo assim, quando não houver um alguém que nos faça parar de pensar naquele momento como um “final feliz”, nós mesmos podemos ser capazes de destruir nossa própria felicidade.
                É impossível ser feliz uma vida inteira. É impossível que a vida seja feita somente de alegrias quando, infelizmente, são os momentos tristes que nos impulsionam a querer algo melhor, a desejar a felicidade. O que seria da alegria sem a tristeza? É a simples lei da “oferta e procura”: quanto mais temos algo, menos valor isso terá.
                Felicidade não é palpável, não é comprável e, nem de longe, será eterna.