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sexta-feira, 27 de março de 2015

Heróis



            Passei toda a minha infância invejando os super heróis e a capacidade que eles possuem de ser fortes. Via personagens que não choravam, que resolviam todos os seus problemas com a força da coragem e do amor e que, no fim, encontravam a felicidade de forma inimaginável. Pura mentira.
            Aos poucos passei a ver que não importa o quanto amor ou coragem você tenha: os problemas sempre irão te abalar. Seja em um sonho, seja por um segundo, um minuto, uma hora, um dia, uma semana, um mês, um ano... Os problemas sempre conseguirão tirar a tua paz, sempre te farão pensar em demasia, te farão refletir sobre o que vale a pena conquistar ou deixar escapar por entre os dedos.
            Invejei tanto os super heróis que conheci e hoje os vejo desmitificados. Vejo que o Homem Aranha chora, que o Arqueiro Verde nada mais é do que um homem amargurado e que foge dos seus amores. Vi que o Flash chora mesmo com a sua incrível velocidade. Não. Não importa quanta bravura, quanta força, quanto amor tenhamos. Nós somos fracos.
            Amar, chorar, sofrer... Não importa quanta “fraquezas” tenhamos. Não importa o quanto queiramos ser o super herói de alguém ou o quanto tentemos “salvar o mundo ao nosso jeito”. Ninguém consegue ser tão frio a ponto de não sentir nada. Ser um herói está além da frieza. Ser um herói está além dos sentimentos. É ter a capacidade de guardá-los dentro de você para que as pessoas ao seu redor não se preocupem. Ser um herói é querer proteger todos ao seu redor não importa o que aconteça. Ser um herói exige altruísmo. Ser um herói exige receber críticas e mais críticas e não poder confrontá-las. Ser um herói é ser humano. Ser um herói é ter a capacidade de amar.

domingo, 22 de março de 2015

Folha Em Branco



                Estou farto dessas introduções, desenvolvimentos, teses e argumentos. Estou farto desse meu “eu” de terceira pessoa, que tanto analisa e nada se inclui. Eu cansei de ser um refém de palavras, gestos, frases. Cansei de ser um refém da minha própria pessoa.
                Estive buscando conclusões. Estive buscando vírgulas, pontos finais, orações. Tudo aquilo que possa me ajudar a encarar os fins e saber se eles finalmente justificam os meios. Não. Eles nãos justificam. Por mais que o texto desses meus capítulos intermináveis e tão confusos seja tão conectado, tão preso, tão amarrado, não há conexão entre os fins e os meios. Eles não se encaixam.
            Creio que perdi meus conectivos, minhas amarras, minhas frases de efeito. Minhas conjunções tornaram-se solitárias e não conectam nada mais. Histórias soltas e presas apenas por pontos e vírgulas que as separam e, ao mesmo tempo, as conectam.
                Tenho buscado novas formas de pensar, de agir. Tentativas frustradas de retomar o meu texto, de reescrever minhas introduções, desenvolvimentos e conclusões e fazer com que eles se encaixem. Mas nada tem feito sentido. As palavras tornaram-se vazias, fracas, cansadas. Acho que elas precisam de um tempo. Um tempo para respirar, para se tornar novamente “conectáveis”.
                Creio que eu precise rasgar esse texto. Riscá-lo totalmente como num dos meus acessos de raiva e depois respirar aliviado. Pensar novamente em um novo texto e escrevê-lo do início. Novo início, novo meio, novo fim e uma tentativa incansável de fazer com que todas aquelas palavras façam algum sentido.
                Eu tenho buscado um novo começo. Um novo começo de texto, de vida, de tudo. Aos poucos tenho me tocado que as antigas palavras tornaram-se distantes. Creio que deixarei os pedaços de papel rasgados em alguma caixa para que, um dia, eu lembre que antes de acertar eu errei. E errei feio! Errei várias vezes. É hora de um novo começo, é hora de uma nova vida, de novas palavras, de novos textos, de novas redações. Eu quero introduzir uma nova vida. Eu não quero mais ser um narrador observador da minha própria história, da minha própria loucura. Eu quero escrever em primeira pessoa. Eu quero ser o meu próprio protagonista. Eu quero ser o meu próprio vilão, o meu próprio argumento. Eu quero simplesmente escrever a minha história. Eu quero escrever sobre mim.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Quem nunca quis viver um grande amor?



            Dizem que não há explicações para o amor. Dizem que as coisas acontecem naturalmente e que, quando nos damos conta, já estamos apaixonados, amantes, reféns de alguém. Os amantes são tolos, bobos, até mesmo burros. Eu confesso. Eu já fui um amante. Eu já fui tolo, bobo e até mesmo burro. Não burro por amar, mas por não conhecer de verdade o que era o amor.
            As palavras se cessaram, os gestos acabaram. Onde estará você agora, meu amor? Onde estarão todas as promessas que fizemos? Onde estarão todas as palavras que proferimos? Onde estarão os desejos de estarmos lado a lado como em outrora? Rita Lee já diria que “o amor nos torna patéticos”. Acho que se tem uma palavra que pode definir o amor seria essa: “patético”, algo idiota, impiedoso, babaca, uma forma de agir sem sentido. E é verdade. Somos todos patéticos.
            Somos patéticos por esperar um grande amor, somos patéticos por sonhar com beijos e abraços, somos patéticos por imaginar como seria segurar a mão de um certo alguém e ter essa pessoa ao nosso lado para sempre. Somos tão patéticos a ponto de perder a razão, de focar no coração, na emoção, esquecer o que realmente deveria ser o amor: uma doação. Não! Amor não é jogo de um só.Amor é um jogo complexo, forte, intenso que precisa de dois jogadores numa mesma sintonia, na mesma sintonia para se doar.
            Acho que é por isso que já encontrei tantas pessoas idiotas e patéticas que se dizem tão decepcionadas por um amor... Não era amor! Era apenas uma atração, uma paixão, uma química, um lance, um lance de pele, de corpo, de toque, o que for, não era amor! Amor é maior. Amor precisa de doação, coração, amor precisa de emoção, de permissão, da permissão de amar, de ser livre, de querer fazer aquela pessoa feliz e de saber que ela te fará feliz independente de todas as coisas.
            É possível sim que amemos uma pessoa sem ser retribuídos. Isso é amar. Amor é algo de dois. É algo entre um casal, dois amigos, pai e filho. Amor é uma relação. Se algum dia tivessem me dito o quão complicadas são as pessoas, eu teria sido mais frio, não teria sofrido tanto, amado tantas vezes e quebrado a cara tantas outras. A única certeza que tenho hoje sobre o amor é a de que quero amar, a de que quero viver algum dia um amor. Não importa quando, onde, nem se vai demorar a chegar. Por mais que as desilusões cheguem e se tornem constantes, haverá sempre a esperança de algum dia encontrar alguém que te fará perder a razão. Quem nunca quis viver um grande amor? 

domingo, 15 de março de 2015

Reflexo



                – Sabe... Às vezes eu não queria ser tão racional. Às vezes eu queria deixar que as emoções falassem mais alto, que meus impulsos e instintos me determinassem num ímpeto de burrice. Ou seria num ímpeto de permissão? Não sei. Às vezes me olho no espelho e não me reconheço mais naquele pequeno pedaço de vidro. Me sinto um completo estranho, irracional, sem cabeça, sem o meu corpo. Apenas um reflexo bobo e inútil sem consciência. Será que eu sou tudo isso? Será que, no fundo, acabei deixando de ser quem eu era ou quem eu queria ser? Será que, no fundo de toda essa droga, eu acabei me tornando apenas uma imagem minha moldada no que mais detestei? Será que eu sou o meu próprio medo? Vez ou outra eu me pego pensando no que eu poderia ter sido se não tivesse perdido a minha “essência do passado”, se não tivesse me juntado ao resto do mundo e me tornado apenas uma parte de mim... Tem horas que me sinto farto. Farto do que fui, do que quis ser. Farto do que me tornei... E como me tornei.
                As palavras não conseguem mais me refletir. Tornaram-se cansadas, fartas e tão rasas. Onde estarão as cores que antes tanto me motivaram? Onde estarão as palavras que antes me confortaram e me impulsionaram? Nem mesmo eu sei onde as guardei após tanto tempo. Vez ou outra tento buscar partes de mim em uma das minhas gavetas. Será que deixei os meus cacos, os meus pedaços, os meus laços, jogados na gaveta das cuecas? Ou seria na gaveta das bermudas? Será que ficaram trancafiados com as roupas de inverno ou com meus antigos brinquedos?
                Quer saber? Acho que eu ainda seja o mesmo. Talvez mais velho, mais magoado, mais experiente, mais tudo. Creio que tudo isso seja uma válvula de escape, uma forma de buscar no passado algo que não está mais presente. Creio que seja a hora de olhar para frente e encarar esse reflexo, o reflexo do futuro, o reflexo do que me tornei. Eu sou apenas o meu reflexo. O reflexo de um homem que busca ser ainda um reflexo que já não existe mais... 

quarta-feira, 11 de março de 2015

Qual o tempo para a felicidade?



O tempo passa. Nossas vidas mudam em tão pouco tempo. Afinal, quão implacável pode ser o tempo? Tempo, tempo, tempo, vou te fazer um pedido... Somos marcados, apressados, impulsionados, pressionados. Seria o tempo o responsável por tudo? Ou somos nós, sempre a procurarmos um culpado que não conteste sua culpa?
Em toda nossa vida, buscamos a quem atribuir a culpa por tudo que não acontece como queremos. Buscamos culpados que se assumam ou não os vilões de nossos erros. Somos sempre nós. Confiar demais, esperar demais, amar demais...
                O egoísmo de esperar que tudo de bom nos aconteça, de ansiar pela felicidade desmedida. Realmente. Somos egoístas. Egoístas ao ponto de reclamar por todas as coisas ruins que nos acontecem. Qual o motivo de não agradecer pelas decepções ou pelas desilusões?
                A estrada para a felicidade é tortuosa e torturante. Tantas entradas, tantas saídas, tantas curvas. Tantas batidas... Malditas batidas! Só conseguimos enxergá-las e ignoramos todas as árvores, nuvens, luzes ou, até mesmo, as estrelas. A felicidade não é o ponto de chegada, é o caminho percorrido. As tragédias e curvas são apenas lembretes de que devemos SEMPRE aproveitar cada momento, cada palavra, cada gesto, independente da dor que esse possa nos causar. Afinal, nunca sabemos quando a nossa estrada pode chegar ao fim.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Entre chuvas e amores...



             Gosto dos dias de chuva. Lembro de quando eu me jogava debaixo dela mesmo com todos os gritos de “você vai ficar doente”. Hoje eu queria um banho de chuva, algo que limpasse a minha alma como antes.
Hoje finalmente percebi porque tanto gosto da chuva. Acho que, por ser um romântico incorrigível – oh droga! –, percebi que ela é como o amor: chega de surpresa, nos movimenta – quem nunca correu para tirar uma roupa do varal ou para se molhar? –, mas pode tanto nos “devastar” quanto dar belíssimos frutos. Tanto na chuva quanto no amor, nós temos de escolher: ou corremos ou nos molhamos. Ou corremos ou amamos. E, às vezes, é bom correr o risco de adoecer seja pela chuva ou pelo amor, porque no fim sairemos mais fortes disso tudo.
                Tanto na chuva quanto no amor temos medo. É normal e é difícil – muito difícil! –. É difícil amar alguém que você simplesmente conheceu e não tem a predestinação (ou seria obrigação?) de amar. É difícil querer que aquele alguém fique ao teu lado para sempre. Por mais que uma chuva demore, ela não será eterna. No fim, o que nos restará são as lembranças daquela chuva de verão ou daquele amor de inverno – sejam boas ou más –. No fim, percebemos que o amor próprio prevalece e que virá uma nova chuva ou um novo amor. E então você verá que não importa a duração daquele delicioso, maravilhoso, inigualável, fenômeno natural. Sempre haverá uma nova oportunidade.
                Tanto o frescor da chuva quanto o frescor do amor são excepcionais. Maravilhosos.
                É estranho como chove lá fora...
                É estranho como não há mais amor aqui dentro...
"It's never rained like it has tonight before
Now I don't really wanna beg you baby
For something maybe you could never give
I'm not looking for the rest of your life
I just want another chance to live
Strange how hard it rains now"