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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Romance em um parágrafo

                “Você chegou devagar, como quem não quer nada, e em pouco tempo mudou um pouco de mim. Teus gestos, teu jeito, tuas manias, teu sorriso; tudo foi se encaixando perfeitamente ao meu redor, formando uma harmonia que há muito tempo achei que não pudesse existir. Você me trouxe sorrisos e flores, e então, com poucas palavras, partiu meu coração.” 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Lua



                Todas as noites, passo pelo menos dez minutos olhando para o céu antes de dormir. Olho para a lua e tento conversar com ela, esperando ansiosamente uma resposta para minhas perguntas. Elas não vêm. Porém, naquela noite foi diferente. Eu olhei para o céu e lembrei de você. Não foi uma lembrança como em todas as noites – já que você é figura repetida nos meus pensamentos.
                Lembrei-me de quando fizemos planos, de quando você me prometeu a lua e as estrelas, de quando falou sobre como o brilho dos meus olhos faria inveja a elas. Doce ilusão... Hoje meus olhos brilham, marejados da saudade e das mágoas que você deixou.
                Naquela noite, eu olhei para a lua e chorei. Chorei pela sua beleza e principalmente por ela me fazer lembrar que, naquele momento, ela estava tão grande quanto o meu amor por você. Naquela noite, a lua respondeu as minhas perguntas. E todas elas eram sobre você.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Meu amor,...

“Meu amor, eu não sabia bem como me despedir. Pensei em te ligar ou mandar uma mensagem, mas fiquei com receio. Acho que medo talvez. Não sei bem por onde começar, mas talvez eu deva te pedir perdão – se é que o devo fazer. Eu te peço perdão por ter fugido de você quando tive a oportunidade de te agarrar em meus braços e fugir para qualquer lugar. Eu te peço perdão pelos meus medos e angústias, pelas minhas inseguranças, enfim... Por ser quem eu sou: uma espada forjada em fogo ardente que jamais voltará a ser o que foi um dia.
Meu amor, eu te agradeço pelas conversas que tivemos, pelos planos que fizemos e, até mesmo, pelos beijos e abraços que não demos. Eu te agradeço pelos áudios longos, pelas palavras de conforto e, principalmente, por ter estado comigo quando mais precisei.
Meu amor, eu não gosto de despedidas, mas hoje eu preciso fazê-la.  Talvez não nos vejamos por um tempo – talvez nunca mais. Infelizmente você se tornou uma lembrança ruim para mim, um sinônimo de dor que parece ter intensificado coisas que aqui estavam adormecidas, mas talvez seja melhor assim e eu me conformo por saber que você carregará consigo um pouquinho de mim. Isso já me basta. Isso me faz imortal. Espero que você seja feliz com as suas escolhas.

Com amor,
Um certo alguém.

P.S.: Acho que não preciso dizer que te amo.”

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Esse texto não é para você

(Cena do filme "As Vantagens de Ser Invisível")

(Para quem desconhece, essa música toca no filme "P.S.: Eu te amo".)

                Esse é um texto diferente. Esse texto é para você que se considera careta, fechado (a), que pensa estar num mundo onde não deveria estar. Esse texto é para você que não vê graça em bebidas e em festas, é para você que acredita no amor altruísta, é para você que não se enxerga apenas como uma máquina de beijos e sexo. Esse texto é para você, que assim como eu, “não é bom o suficiente”. Portanto, se você se sente distante da descrição desse primeiro parágrafo, feche a página.
                Passei muito tempo tentando ser o príncipe encantado montado num cavalo branco. Tentei ser o cara perfeito e falhei. Era doloroso ouvir um “você é apenas meu amigo” e me culpar incansavelmente por ser alguém alheio ao mundo de hoje. Eu consegui me culpar por muito tempo por ser um termo à parte da sociedade, mas aos poucos fui percebendo que não havia erro algum. Nunca gostei de festas, nunca gostei de bebidas, nunca gostei dessa ideia de ter uma contagem de bocas beijadas ou corpos tocados. Não... Eu não sou assim. Eu não preciso ser assim. Nunca esperei encontrar uma princesa. Pelo contrário, sempre quis encontrar uma mulher de verdade que, assim como eu, tivesse qualidades defeitos.
Com o passar dos anos, fui descobrindo algo doloroso: vivemos num mundo egoísta. Muitos querem amar, muitos querem ser amados, mas são raras as pessoas que se dispõem a viver um amor. Vivemos no mundo onde uma festa importa mais do que estar com alguém, onde abrir mão de algo é ter sua liberdade tirada, onde competimos para ver quem menos demonstra seus sentimentos.
Amor é um bicho complexo e complicado. É uma estrada de mão-dupla onde os dois corpos precisam andar lado a lado, num compasso, dialogando, entendendo, aceitando, perdoando, buscando encontrar soluções para tudo aquilo que houver. Amar nos dias de hoje é difícil, mas não é impossível.
Esse texto é pra você, que assim como eu, já foi machucado, culpado pelos seus medos e inseguranças. E eu quero te dizer: está tudo bem, você não precisa se martirizar por isso. É normal sentir medo, é normal não gostar de festas, é normal querer alguém que se pareça com você. É normal querer viver uma história de amor como você sempre sonhou. É normal ter traumas, ter falta de confiança. É normal querer ser o “algo a mais” de alguém. E está tudo bem em ser “careta”. Você não precisa viver um amor que te force a ser quem você não é. “Nós aceitamos o amor que achamos merecer” e somos merecedores de muito mais do que nos é oferecido em festas e relacionamentos vazios e superficiais. Nós ainda podemos ter um final feliz. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Devaneio



                “Era uma casinha pequena de campo. A chuva caindo lá fora, você no sofá, perto da janela. O cheiro da macarronada que eu fazia inundava o ambiente, misturado ao aroma de terra molhada. Em algum momento meus olhos viraram em sua direção e lá estava aquele olhar, que tanto desejei que me fitasse, acompanhado de um sorriso – meio tímido, no canto esquerdo da boca, mas fascinante. Perguntei o motivo da risada e você, como sempre, soltou um ‘Nada...’ – daqueles que não dizem nada, mas dizem tudo ao mesmo tempo.
                Eu te faria rir com as piadas mais bobas, te faria escutar as músicas mais melosas que podem existir, te faria ler textos e mais textos sobre o amor, te faria assistir filmes de terror e te faria gargalhar com meus comentários sobre os mesmos. Eu te seguraria em meus braços, como se nunca fosse te deixar partir. E eu não deixaria você partir tão facilmente...”
Talvez o medo tenha me privado de viver alguns sonhos bobos e que talvez me fizessem ser a mais feliz das criaturas. Sinto muito. É que eu adoro tantos os seus olhos – e o resto do seu rosto também – que não suportaria correr o risco de te perder.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

No more pain, no more heartbreak.



                “Todos os dias, ao acordar, busco juntar os vários pedaços de mim. Uns dias mais, outros menos, mas sempre tentando. Levanto, ando, por vezes canto e danço, buscando novas formas de me reencontrar. Tento lutar, amar, cuidar, perdoar, me perdoar, sentir, sorrir, persistir, querendo nunca desistir. Corro contra o tempo, encontro meus tormentos. Deito. Fecho os olhos. Um alívio toma conta de mim simplesmente por saber que ali, naquele momento, ao dormir, não haverá mais dor, não haverá mais decepção.”

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Playlist "Romance"




01. Photograph – Ed Sheeran
02. Never Let Me Go – Florence + The Machine
03. Oração – A Banda Mais Bonita da Cidade
04. You and Me – You+Me
05. Be My Sin – Kathryn Dean
06. A Thousand Yers – Cristina Perri
07. Pra Você Guardei o Amor – Nando Reis
08. Love Me Like You Do – Ellie Goulding
09. Happy Together – Turtles
10. Love Is Here – Sonohra
(atualizada em 07/10/2016)

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Amor e Dor

Amor insolente
Impaciente
Persistente
Que chega na gente
Já querendo partir
Que machuca
Fere e sangra
A alma
Sem calma
O rosto acabado
O olhar marejado
O coração despedaçado
De quem um dia ousou
Ser feliz

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

"Não acredite no amor!"

Ela disse:
- Não acredite no amor.

Não foi pra mim. Eu sequer a conhecia. Eu não sabia quem ela era. Apenas a vi, do outro lado da rua, por trás de uma porta de vidro.

- Não acredite no amor!

Em momento algum, suas palavras foram proferidas a mim; mas me doeram. Foram pra mim. Talvez o acaso, o destino, qualquer outra merda dessas em que acreditamos tenha direcionado aquela frase pra mim.

- Não acredite no amor.

E martelou, martelou, insistiu, fazendo um barulho dentro de mim. Repetindo, explodindo, vociferando. A minha própria mente captando uma frase aleatória na rua para me fazer acreditar. Para acalmar o sofrimento.

- Não acredite no amor.

E então eu percebi que eu não deveria acreditar no amor.
Eu não deveria acreditar no falso amor de quem não sabe o que é amar. 

Ser Feliz




                Hoje eu chorei. Chorei feito criança, chorei emocionado, mudo, calado... Enfim, chorei das mais diversas formas possíveis. Desabei mágoas, abri minhas feridas e nelas, ao invés de jogar álcool e sentir aquele ardor infernal – como eu costumava fazer –, coloquei apenas água oxigenada. Senti o borbulhar, aquele arrepio leve, a sensação de que “vai ficar tudo bem”, de que “vai melhorar”. Senti meu coração acelerar e desacelerar como nunca sentira. Consegui enxergar um “eu” antigo novamente no espelho... E que saudade eu estava dele. Que saudade eu estava de mim.
                Hoje eu chorei. Chorei quando, em menos de dez minutos, fui chamado de “pessoa boa” por dois alguéns. Logo eu, que por tanto tempo me considerei uma pessoa ruim apenas por ouvir quem não merecia, quem nunca mereceu o meu carinho, o meu afeto, a minha amizade e o meu amor. Hoje eu sei.
                Hoje eu chorei. Chorei como há muito tempo não chorava. Chorei lavando a alma, tentando limpar o passado, tentando apagar todas as coisas ruins.
                Hoje eu chorei. E à medida que as lágrimas escorriam pelo meu rosto, eu consegui, depois de tantos anos, acreditar em mim novamente.

Eu consegui (re)acreditar em ser feliz. 

domingo, 2 de outubro de 2016

Playlist "Fim de Relacionamento"




01. Wish That You Were Here – Florence and The Machine
02. All I Need – Mat Kearney
03. Better Love – Hozier
04. Terrible Love – The National
05. Terrible Love – Birdy (cover da música acima)
06. Grenade – Bruno Mars
07. Someone Like You – Adele
08. We Both Know – Gavin Degraw ft. Colbie Caillat
09. Please Don’t Go – Joel Adams
10. If I Were a Boy - Beyoncé
11. Wish It Were You – Taylor Renee
12. Somebody To Die For – Hurts

(atualizada em 02/10/2016)

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Versos #02

Teu perfume tá marcado
Na minha roupa
No meu corpo
Na minha boca
No meu todo

Perfume doce, gostoso
De gente que abraça apertado
Que gruda do teu lado
E pede pra ficar mais um pouco

Abraço de gente
De gente que sente
Deseja, suspira, respira
Bem cá no ouvido
Que enlouquece e entorpece

E se me perguntarem
Como conheço esse "tipo de gente"
Respondo convictamente
Que só conheço você

Aníbal Bastos

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O Artista

Ele era um artista. Era jovem demais para ser velho, mas era velho demais para ser tão jovem. Sua cabeça era repleta de sonhos, desejos e ilusões. Sonhava conquistar o mundo, mas sem perder sua essência. Desejava sempre ser o melhor para si. Iludia-se em acreditar na bondade alheia incansavelmente.
Ele era um artista. E assim como qualquer humano, era repleto de medos e inseguranças. Medos que poucas, raras, pessoas eram capazes de entender. Sofria calado e buscava na arte uma forma de exorcizar os seus demônios internos. Lutava diariamente contra si mesmo, sempre buscando uma nova forma de lidar com suas angústias, mas não adiantava... Ele continuava perdido, com medo, assustado.
Ele era um artista. Tinha a alma doce como a de uma criança, mas a mente tão velha como a de um ancião. Buscava amizade, amor, desejo, paixão. Desejava vivenciar tudo aquilo que acreditava lhe ser predestinado, mas em troca conquistara uma velha caixa no peito onde guardava suas mágoas.
                Ele era um artista e sonhava amar, voar, correr, gritar, pular, sorrir.

                Ele era um artista e só lhe restou viver. 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O Céu dos Passarinhos



                 Hoje o dia foi triste. Silencioso. Não ouvi o cantar, os assovios, nada. Ele – o marido dela –, um periquito australiano das penas azuis, pretas e brancas, também não cantou. Nada. Ficava parado, olhando para um ponto fixo fora da gaiola: o lugar onde eu a depositei ao retirar seu corpo.
                Era tarde. Ao passar pelo local, olhei em direção a eles – sempre soltando uma piada, falando algo – e a vi, quietinha, parada num canto. Cheguei mais perto e ela veio ao meu encontro, mancando, abatida. Larguei o que estava fazendo, puxei uma cadeira e sentei ao lado da gaiola. Ela foi para a porta, como sempre fazia – ávida para beliscar meus dedos e cravar suas finas unhas em minha pele. Peguei-a em minhas mãos e ela ficou ali deitada, quietinha, calma, sossegada – como nunca ficara. Meu coração se encheu de tristeza, comecei a chorar copiosamente enquanto alisava as suas penas e acarinhava sua cabeça – como ela gostava que apenas seu esposo fizesse –, enquanto ela fechava os olhos imaginando sei lá o quê. Vê-la em minhas mãos tão quieta era uma tortura, um martírio. As penas amarelas e brancas formando um contraste com a minha pele. Ela se sentia segura e eu podia ver isso nos raros momentos em que ela abria os olhos.
                Coloquei-a de volta em sua casa, enquanto eu tentava me acalmar e parar o choro – que eu classificaria como descontrolado. Podem me achar tolo: eu chorei por um pássaro. Um “simples” pássaro que, pra mim, era um alguém; um dos mais importantes alguéns que eu pudera encontrar. Ela caminhou em direção à vasilha da comida e tentou subir. Não conseguiu. Coloquei-a no chão da gaiola e ela caminhou em direção ao lugar que mais amava: dentro daquela vasilha de metal. Colocou as patas na borda e enfiou a cabeça lá, como se quisesse esconder alguma coisa. Seu marido tentou se aproximar, mas ela não deu ousadia. Ele bicou, puxou uma das penas da asa esquerda, mas dessa vez ela não reagiu. Eu, como sempre remediador, o afastei. Ele foi para longe, olhando pra sua amada.
                Eu chorava. Chorava muito. Não queria que ela partisse. “Humano idiota que chora por passarinho” – alguém poderia dizer e eu concordaria. Prefiro ser um idiota a não ter sentimentos. Parece que ela sabia que, se morresse por volta daquele horário, eu sofreria mais. Ela esperou. Quase 8h. Quando eu já estava mais calmo, notei-a caminhando lentamente, mancando, em direção a sua vasilha – SUA vasilha; ai do seu marido que ousasse comer enquanto ela estivesse se alimentando ou levaria bicadas violentas na cabeça. Ela não conseguiu subir. Aproximou-se da parte traseira, empurrou um pouco e repousou a cabeça ali, quieta, sozinha, com a respiração ficando mais lenta a cada vez que eu olhava. Logo ela – que sempre fora tão exibida inclinando a cabeça quando eu indagava “Como olha pra papai?” e ela pirraçava, olhando apenas quando minha mãe falava – resolveu se esconder. Creio que ela não queria mostrar a sua dor, nem cantá-la alto.
                Quando chegou aqui, era filhote. Já tinha o mesmo tamanho, mas era um bebê. Mesmo sendo tão simples a sua penugem, eu me encantei. Quando chegamos em casa, notei um problema: ela não voava. Tentava, tentava, tentava e não conseguia – como o pássaro de um dos meus filmes favoritos “Rio”. Parecia estar doente, mas eu não quis devolver. Ela não aprendeu a voar, apenas dava rompantes quando se assustava ou quando brigava com seu marido; mas ela já nasceu sabendo amar. E ela demonstrou o seu amor por mim, por minha mãe e pelo seu marido em cada gesto, cada detalhe; cada virada de cabeça – com a pata apoiando na gaiola –, com as acrobacias, com os pulos em minhas mãos quando eu tentava colocar a comida e, até mesmo, com os gritos matinais, sempre altos e que proibiam qualquer um de falar ao telefone. Ela gritava e quando eu aparecia, cessava. E os gritos continuavam quando eu desaparecia de seu campo de visão. Quando a comida ou a água acabavam, novos gritos. E eu podia diferenciar cada um deles.
                Ontem ela cantou pela última vez. Canto suave de passarinho. E eu senti falta, muita falta, das nossas “brigas” – sim, um homem de 22 anos idiota fingindo uma briga com um casal de periquitos australianos – e, principalmente, da sua pureza. Hoje seu marido ficou em silêncio durante todo o dia. Cheguei perto, como se ele pudesse me entender, e disse que entendia tudo aquilo. Chorei. Ele olhando ao redor, procurando, me encarando. Uma lágrima insistente, de saudade de uma “reles” – como muitos poderiam dizer – periquita.
                Ontem ela voou. Voou rumo ao “céu dos passarinhos” – como um amigo bem colocou. Restou apenas um aperto no peito, uma saudade chata, um silêncio insuportável e lembranças de cinco anos que NUNCA serão esquecidas.

sábado, 20 de agosto de 2016

Querido Eu

Querido Eu,

Acho que essa carta vai chegar tarde demais. Infelizmente não pude evitar que acontecesse com você tudo aquilo pelo que passei. Vai doer e eu bem sei disso. Peço perdão por quebrar as tuas doces ilusões, mas essa nada mais é do que a verdade.
Você ficará só. Os amigos que um dia você tanto quis bem, vão te deixar pra trás. No pior momento da sua vida, a solidão vai ser a sua melhor amiga. Alguns deles ainda vão te procurar, principalmente no momento em que precisarem; mas não se chateia. Isso é bom. Você tem algum valor. É bom ser importante pra alguém nessas horas. Mesmo que seja SÓ nessas horas. Isso mostra o quão bom você é.
Você vai se apaixonar. Só sei que vai doer. Muito.
A maioria dos sonhos que você tem não serão realizados. Isso vai doer. Você vai olhar ao redor e vai enxergar apenas a solidão, um vazio existencial. Como se nada fizesse sentido. Ninguém vai te ouvir, te abraçar, estender a mão e sequer cuidar de você.
Não sei se já chegamos ao ponto em que alguém que fora importante te chamou de egoísta ­– mesmo admitindo depois ter sido da boca pra fora –, mas talvez você precise ser assim. Eu queria te ajudar, te poupar da dor que passei. Queria fazer com que tudo fosse melhor pra você; mas eu não posso mais.
É como o fim de uma história. É como se todos os personagens estivessem se encaminhando para o grande final e você estará traçando o seu destino, tentando mudar, tentando aliviar tudo aquilo que te aconteceu. As mágoas, as decepções, as humilhações, os fracassos. Tudo vai passar.
Quando você chegar ao ponto em que me encontro, quero que escreva para si, para um “eu” de outrora que ainda acreditava em tantas coisas tolas ao seu redor. Sei que não vai adiantar, mas alivia.

Com carinho,
você daqui a uns anos!


P.S.: Esse é só um lembrete pra nunca esquecer quem você é e, muito menos, quem você foi.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Scream – Hipóteses Sobre o Assassino (Segunda Temporada)!


                Após os acontecimentos não tão surpreendentes da season finale do ano passado, três meses se passaram em Lakewood. Emma (Willa Fitzgerald) retorna para casa após um período reclusa para se recuperar dos eventos traumáticos.  Antes mesmo da nossa final girl aparecer, Audrey (Bex Taylor-Klaus) – que no último episódio da primeira temporada foi vista queimando cartas recebidas de Piper (Amelia Rose Blaire) – passa a receber mensagens de texto assustadoras, dando a entender que alguém sabe da sua ligação com a filha de Brandon James.
                Em Lakewood, Emma reencontra seus amigos. Além de Audrey, ela é recepcionada por Noah (John Karna) – que “herdou” o podcast de Piper e o nomeou “The Morgue” (O Necrotério) –, Brooke (Carlson Young) e Jake (Tom Maden) – que agora mantém um caso secreto –, Audrey e Kieran (Amadeus Serafini) – que agora tenta seguir em frente após a morte do seu pai (não sentimos a menor falta daquele xerife burro). Além disso, Emma tem sempre o apoio de sua misteriosa mãe, Maggie/Daisy (Tracy Middendorf), que parece não se cansar de ter segredos.

domingo, 7 de agosto de 2016

Fim



Aos poucos as últimas palavras vão sendo escritas. O final da história vai sendo desenhado aos poucos. Eu, justo eu, que sempre odiei despedidas, acabo me tornando refém delas. Despeço-me de amigos, de partes de mim... Busco novos recomeços, novos horizontes. Tudo se renova.
                Parece o velho clichê do “final feliz” acontecendo ao meu redor. A ansiedade me corrói. É normal. Pareço finalmente ter tomado as rédeas da minha própria vida, de ter assumido a máscara de protagonista da minha própria história. Como na maioria delas, os protagonistas são sempre os últimos a sorrirem. Sempre nas últimas páginas, nas últimas linhas. No ponto final.
                Eu sempre odiei despedidas. Odiei e as odeio com toda a força que ainda tenho. Busco renovar, recomeçar; mas pareço estar sendo massacrado com estúpidos flashbacks colocados apenas para render mais algumas páginas. Para me atrasar, me impedir.
                Chegou a hora da despedida. É hora de partir, de deixar o passado para trás, esquecer os fantasmas e recomeçar. É chegada a hora de dizer o adeus definitivo a quem partiu, a hora de escrever a última linha desse capítulo final para, quem sabe, um dia continuá-la.
                É hora de recomeçar.
                De amar.
                De existir.
                De resistir.
                De ser feliz.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Altruísmo



                E se aprendêssemos a nos colocar no lugar dos outros? E se nos colocássemos no lugar daquele amigo que você esqueceu quando começou a namorar? E se nos colocássemos no lugar daquele amigo que você procurava apenas nos momentos de necessidade? E se nos colocássemos no lugar daquela pessoa que amamos, mas que maltratamos e fazemos com que se sinta a pior das criaturas? E se nos colocarmos no lugar daquela pessoa que chamamos de afobada apenas por ela querer se organizar com antecedência? E se nós tentássemos, ao menos uma vez, pensar nos sentimentos dos outros?
                Uma coisa que nunca lidei bem foi o egoísmo. Seja com pessoas, sentimentos, gestos... Enfim... Egoísmo de modo geral. Qual o problema das pessoas em pensar tanto nelas mesmas? Demorei bastante tempo até entender que o meu altruísmo era errado. Sempre foi. A tentativa falha de colocar o bem estar dos outros em prioridade ao meu, a vontade de fazer com que todos estivessem felizes e que fodam-se os meus sentimentos. Vivemos em um mundo egoísta, rodeado de pessoas egoístas, amigos egoístas, parentes egoístas, amores egoístas... E é tão raro, mas tão raro mesmo, encontrar alguém altruísta em nossas vidas, que isso chega a assustar quando acontece.
                Aos poucos fui aprendendo com os erros do meu altruísmo, sempre culpando os outros ao meu redor por não corresponderem às minhas expectativas, não me tratarem da mesma forma que eu os tratava... Passei então a me culpar, culpar a minha “bondade” – seria essa a palavra correta? – em desejar sempre o bem aos outros, em buscar sempre a felicidade alheia e não a minha. Passei a culpar a melhor parte de mim. Não era minha culpa. Os culpados eram o “amigo que te esqueceu ao começar a namorar”, a “amiga que procurava apenas nas horas de necessidade” e tantas outras pessoas egoístas que surgem e desaparecem em nossas vidas ao longo dos anos. O erro não era nosso. E talvez um dia, quem sabe, eles descubram os seus erros, encarem a realidade e então aprendam... Quem sabe não seremos capaz de mudar alguém?

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Versos #01

O teu cabelo escuro
Em contraste ao meu
Teu olhar tão puro
Se entregando ao meu

Os olhos fechados
Os rostos colados
Dedos cruzados
Corações acelerados

Ah! O tal do amor
Tão repentino
Um verdadeiro desatino
Que fez do pobre menino
Um alguém inerte a dor

Por me perder nos teus braços
Faço morada no teu abraço
E mesmo com os pés descalços
Sei que estou no encalço
Da tão sonhada felicidade
Que mesmo com tão pouca idade
Desacreditei em encontrar

Apesar da rima ausente
Faço da minha voz um poema insistente
De quem nasceu para te amar

Aníbal Bastos

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Quando o amor chega de repente...



                Quando o amor chega de repente, é fácil reconhecer. O medo se instaura, o coração se acelera. O estômago enche-se de falsas borboletas, as mãos suam frio. É uma mistura complexa de sentimentos: alegria, paixão, tesão, cumplicidade, dentre outros, incluindo o amor.
                Quando o amor chega de repente, a loucura nos é taxada. Porque a vontade de viver um dos extremos da emoção faz com que nos interpretem como aqueles privados de razão? Afinal, é possível ser louco simplesmente por amar?
                Quando o amor chega de repente, nossos olhos se enchem de esperança. Nossa alma torna-se tão radiante quanto à de uma criança. Olhos brilhantes, sorrisos escancarados, bochechas ruborizadas. O simples desejo de abraçar aquele alguém e nunca mais se afastar.
                Quando o amor chega de repente, é impossível evitar. É impossível lutar.
                Quando o amor chega de repente, só nos resta uma saída: amar.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Borboletas no Estômago



                “O tempo parece ser uma verdadeira armadilha. A tua ausência se faz tão longa. As horas ao teu lado parecem correr. Mesmo com tão pouco tempo, uma eternidade parece existir. O teu olhar, o teu sorriso, pequenos gestos que me fazem suspirar, sentir as famigeradas borboletas no estômago. O medo desaparece, os olhos se fecham, as mãos se apertam – em um encaixe perfeito de dedos.
                Era terça. Dia. Eu chorava. Você surgiu. E como uma pequena tempestade de verão, você me preencheu, ou melhor, me ajudou a me preencher. Fez com que eu encontrasse os meus pedaços espalhados, fez com que eu encontrasse novamente – após tantos anos – quem eu era, quem eu sou, de verdade.
                O primeiro olhar, o primeiro abraço, o primeiro beijo. Os elogios sem fim. As tuas bochechas que coram. O teu dito – por você – coração de pedra amolecendo, tornando-se pulsante. O meu dito – por mim – coração em cacos, tornando-se completo após tanto tempo. Dois corações batendo, um próximo ao outro em um abraço tão apertado que nem mesmo os mais renomados especialistas poderiam explicar.
                Não há explicação para o amor – em nenhuma das suas dimensões. E talvez ele nem precise ser explicado, apenas sentido e vivido. Dentre as inúmeras definições, gosto de um trecho da Bíblia que fora belissimamente adaptado por Nicholas Sparks em ‘A Walk To Remember’ (“Um Amor Para Recordar” – Um dos meus filmes favoritos!): ‘O amor é paciente e benigno, não arde em ciúmes; o amor não se ufana, não se ensoberbece; O amor não é rude nem egoísta, não se exaspera e não se ressente do mal. O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Está sempre pronto para perdoar, crer, esperar e suportar o que vier’.
                A tempestade de verão passou. E ao invés do que muitos acreditam sobre chuvas, ela não destruiu. Pelo contrário, fez florescer. Flores, sorrisos, olhares. Amor. Amor... E agora, anseio incessantemente viver inúmeras outras estações ao teu lado, inúmeras eternidades.
                Era terça. Noite. Eu sorria.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Sobre Corações Partidos



“Meu coração parece ter se tornado um bloco de gelo. Talvez por ocasião do momento, devido às circunstâncias, ou pelo simples medo de que tudo aconteça novamente. É uma lei de sobrevivência que aprendemos ainda na infância: quando nos machucamos com algo, vamos pensar duas, três, cem vezes antes de repetir aquela mesma ação. É assim com o amor (ou relacionamentos em geral). Algumas pessoas podem dizer se tratar de uma covardia desmedida, mas acho que seja uma precaução, uma forma de proteger a si mesmo dos erros dos outros.
 Certa vez, eu me apaixonei. Ela parecia a garota ideal e ela era – ao menos na minha visão, naquele momento. Ouvi uma vez que amamos uma pessoa não pelas suas qualidades, mas ‘quando conhecemos as qualidades e os defeitos da outra pessoa e, ainda assim, continuamos a gostar dela’. Foi aí, quando lembrei dessa frase, após algumas mágoas, que eu percebi que a amava. Para muitas pessoas, amar alguém que nos magoa – ou nos magoou – trata-se de um masoquismo sem fim, mas não é. Ela não era a ‘garota ideal’ e está longe de ser.
Ao longo da minha vida, ouvi histórias de amor das mais diversas. Seja em desabafos ou pela minha mais humilde curiosidade – tenho um certo ‘fanatismo’ em ouvir histórias de amor alheias – e me espantei com a quantidade de pessoas que sofreram por amor. Do ponto de vista ‘moderno’, seria fácil dizer que tais pessoas são ‘trouxas’ e/ou idiotas. Porém, é errado pensar dessa forma. Amar é um gesto de coragem, mesmo quando não somos retribuídos, quando somos traídos ou, até mesmo, quando amamos alguém que não mereça o nosso amor. Amar alguém é ser altruísta, é ter a coragem de colocar a felicidade dessa pessoa junto a nossa, mas infelizmente nem todas as pessoas sabem o que é isso.
Acho que é seguro dizer que eu perdi a minha sensibilidade. As palavras se formam sem os seus conectivos, as lembranças atormentam de uma forma jamais vista. Creio que a única parte sensível que restou tenha sido a amargura que me atormenta todas as noites quando vou dormir. Aquela velha amargura, misturada com uma dose de rancor, outra de saudade, e uma overdose de tristeza. O que me resta de sensibilidade sai em lágrimas, lágrimas que ferem e sangram mesmo sendo tão escassas. Talvez esse seja o castigo de amar em um mundo onde quase todas as pessoas são egoístas.”

sábado, 5 de março de 2016

Egoísmo II

Cena do episódio 2X01 da série "How To Get Away With Murder"


                Um bom tempo se passou desde que nos vimos pela última vez. Não tenho calculado mais o tempo, não tenho pensado acerca do que fomos, do que poderíamos ser e, muito menos, do que nos tornamos. Quanto a você, tudo tornou-se uma incógnita de uma das mais difíceis equações que já tentei resolver – daquelas que você desiste após algum tempo e sai com uma enorme dor de cabeça.
                Eu não sou mais o mesmo. Resolvi deixar que as feridas se abrissem em mim e sangrassem todas de uma vez. Talvez seja uma forma masoquista de me acostumar com a dor e, quem sabe, permitir que, mais ou mais tarde, ela deixe de existir. Talvez a dor não deixe de existir. Talvez eu continue a sentir o meu coração sangrar todas as vezes que eu olhar as fotos, as velhas mensagens e/ou qualquer outra coisa que me remeta a você.
           Algumas pessoas dizem que enlouqueci. Outras dizem que eu me tornei alguém irreconhecível, uma parte de mim que eu jamais cogitei que pudesse existir. Justo eu, que tanto me vangloriei da minha sensibilidade, pareço ter perdido ela. Talvez seja temporário. Talvez seja apenas uma carapaça para proteger um interior tão machucado que só é capaz de se curar se for protegido de todas as formas possíveis.  
                Certa vez me disseram que o amor é capaz de nos mudar por completo, de abrir novos horizontes, de nos apontar novos rumos e de nos permitir atingir uma forma única e particular de felicidade. Talvez eu tenha deixado o amor me mudar de uma forma negativa. Talvez não seja a regra, mas a exceção: a de que amar alguém egoísta é virar uma arma tão poderosa quanto o amor em nossa direção e atirar. É se permitir sangrar mesmo que sem querer.  

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Lembrar



                “Eu consigo me lembrar da primeira vez que eu te vi. Era noite, seus cabelos ao vento, delicadamente penteados. E eu ali, um completo estranho que estava completamente encantado com o teu sorriso e com o teu olhar.
                Lembro do primeiro abraço, do primeiro adeus, do primeiro beijo, do primeiro beijo de verdade, do primeiro toque de mãos, da primeira música, da primeira briga, da primeira vez que você me magoou, da primeira vez que você disse gostar de mim e eu me lembro, com precisão, da primeira vez que você partiu o meu coração. E não foi a última...
                Talvez eu tenha errado comigo. Talvez tenha sido masoquismo insistir nesse amor tão sem cabimento, insistir nesse sentimento que – mesmo contra a minha vontade – parecia crescer, me inundar. O mesmo sentimento que você usou contra mim. Com todas as suas palavras e gestos cruéis que, até hoje, embrulham-me o estômago tão fortemente que nem mesmo o mais forte chá de folha de louro é capaz de aliviar.
                Desde pequeno, sempre tive o medo de esquecer. Tinha – e ainda tenho – um completo pavor de esquecer quem eu era, quem eu amava, os rostos ao meu redor, as minhas lembranças... E acho que eu acabei me esquecendo. É. Eu esqueci. Eu me esqueci de mim.
                Acho que, no fundo, eu acreditei nas tuas palavras; acreditei ser a criatura horrível que você fez questão de me tornar perante nós dois e acabei esquecendo quem eu realmente era. Eu não quero esquecer! Não quero esquecer o amor, a dor, nada disso. Eu quero que as lembranças me incendeiem como uma velha casa de madeira encharcada por gasolina. Eu quero lembrar, cada dia, cada vez mais, até que tudo isso se torne indolor. Eu quero ser capaz de lembrar tudo o que aconteceu, não com remorso nem por masoquismo, mas como um simples lembrete, uma nota mental, de não deixar nada daquilo se repetir novamente. Pra nunca esquecer... Pra nunca esquecer quem eu realmente sou. Pra nunca esquecer quem você realmente é.”

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Será "amizade"?



                Acho que eu deixei o meu altruísmo e a minha bondade falarem mais alto. Após tantas decepções, após tantas pessoas egoístas ao meu redor; talvez eu tenha deixado que as minhas melhores qualidades fossem capazes de me matar aos poucos. Creio que, ao longo dos últimos anos, eu tenha deixado morrer uma parte do que eu era, uma parte do que eu queria ser e uma parte do que eu poderia ser.
                Foram muitas decepções. Vi amigos tornarem-se distantes – mesmo com minhas tentativas de resgatar tais amizades –, vi amigos tornarem-se completos estranhos, vi amigos que, simplesmente, passaram a não se importar comigo. Talvez esse tenha sido o meu erro: talvez eu tenha ajudado demais os outros e esperado que, quando eu precisasse, eles estivessem ali comigo.
                Aos poucos fui descobrindo uma das coisas mais dolorosas que eu poderia descobrir: a palavra “amizade” tem perdido o seu valor – ou pelo menos ela tenha perdido o valor para aqueles que um dia chamei de “amigos”. Vivemos em um mundo regido pelo egoísmo, onde o bem estar próprio supera as vontades e o desejo de cuidar do próximo – mesmo quando tratamos de um “amigo”.
                Acredito que eu tenha deixado a minha bondade falar alto demais. Talvez eu tenha sido inocente de acreditar que todas aquelas pessoas – que um dia me chamaram de amigo, irmão, melhor amigo – estariam ali comigo quando eu precisasse. Bem, elas não estavam... E nem estão.
                De todos os personagens de séries, filmes e livros que já conheci, sempre me identifiquei com a Bonnie, de The Vampire Diaries. Sempre presente, seja para proteger ou simplesmente para consolar um amigo, Bonnie acabou por perder a sua vida algumas vezes pelo bem estar dos outros e talvez eu tenha feito o mesmo. Talvez eu tenha passado a reger a minha vida em prol do bem estar dos outros, cuidado dos outros; e talvez eu tenha esquecido o elo mais importante para mim: o MEU bem estar.
                Creio que tenha finalmente chegado a hora d’eu ser um pouco mais egoísta e de aprender a lição. Talvez, sendo o bom amigo, eu tenha (infelizmente) acabado sozinho.

Extra: Bonnie sozinha no mundo-prisão!
"She sacrificed everything for us over and over again, and then we were supposed to be there for her. She's all alone!"

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Talvez(es)


Talvez eu seja um monstro.
Talvez eu seja aquele tipo de pessoa que fere com palavras (o pior tipo de pessoa, cá entre nós).
Talvez eu seja egoísta.
Talvez eu seja o tipo de pessoa que você disse que eu sou.
Talvez eu seja um homem frio.
Talvez eu seja cruel.
Talvez eu não saiba amar.
Talvez, talvez, talvez...
Talvez eu nunca tenha amado.
Ou melhor, talvez eu nunca tenha sido amado.
Talvez eu erre demais.
Talvez eu persista nos meus erros demais.
Talvez os meus erros façam parte de mim (desculpa, mas não sou perfeito).
Talvez eu persista em ser quem eu sou.
Talvez eu não goste de me perder de mim (redundante, eu sei).
Talvez eu não queira deixar de ser quem eu sou.
E talvez, por isso, eu sou tão julgado.
Talvez eu seja uma boa pessoa.
E talvez, por isso, eu seja tão facilmente magoado.
Talvez o erro seja única e exclusivamente meu – meu erro de esperar o melhor das pessoas.
Talvez o mundo tenha mudado a sua trajetória e eu fiquei parado em algum lugar do passado onde eu acreditava que as pessoas eram boas.
Talvez eu viva num “mundo de fantasia” e acredite cegamente na bondade dos outros (mesmo quando ela não existe).
Talvez eu espere, assim, que as pessoas me tratem tão bem quanto eu pretendo tratá-las.
Talvez eu erre.
Talvez eu erre muito.
Talvez eu esteja um pouco cansado das pessoas; das suas mentiras, traições, palavras em vão.
Talvez eu não seja mais o mesmo.
Talvez eu esteja aprendendo a descrer no mundo e nas pessoas (mesmo que isso me doa).
Talvez eu esteja me tornando aquilo que eu sempre tive medo: um adulto.
Talvez eu esteja me tornando aquilo que eu sempre tive medo: um adulto que, nas palavras de alguém, seja frio e cruel.
Talvez eu não tenha mais aquela alma infantil tão bondosa e apaixonada pelo mundo.
Talvez eu esteja errado.
Eu estou errado.
Afinal, eu sempre erro (Não é mesmo?).
Acho que todos esses “talvezes” na minha cabeça sejam fruto da minha capacidade de acreditar nas palavras dos outros. Talvez eu escute muito, fale pouco.
Engraçado... Talvez eu não esteja errado.
Talvez eu esteja rodeado das pessoas erradas (algumas).
Talvez eu tenha encontrado (algumas) pessoas egoístas, cruéis, mesquinhas.
Hoje tenho a certeza de que não sou o vilão. Não sou o cara frio e cruel. Acho que finalmente aprendi a não me calar mais com as coisas que me incomodam.
Talvez essa “frieza” e essa “crueldade” que tanto dizem seja apenas o reflexo da mudança.
Talvez eu esteja assustando por estar reagindo, por não deixar que as pessoas ditem, mais uma vez, a minha vida. Por deixar que elas não pisem mais em mim.
Talvez eu tenha aprendido a lição.

Talvez agora eu me enxergue como eu sou de verdade.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Para Esquecer



                Hello, stranger! Lembra de mim? Sou eu, aquele alguém que você um dia disse gostar.
                Hello, stranger! Talvez o tempo tenha passado. Aliás, acho que ele passou. Um mês? Um ano? Perdi as contas. Justo eu, sempre tão preciso com datas e palavras, acabei me tornando refém delas... Refém da falta de tempo e da falta de palavras.
                Hello, stranger! Eu me lembro bem da nossa última conversa. Lembro das minhas palavras de ódio, lembro de como eu me irritei com você por descobrir coisas que até o diabo duvidaria. Eu me lembro tão bem daqueles dias, daquela primavera ensolarada em que te conheci. Parece até que foi ontem. Parece até que foi um ano atrás. Eu me lembro das minhas juras de amor e dos teus pedidos de “Não me prometa nada!”. Eu não devia ter prometido. Não por mim, mas por você. Eu queria ter cumprido as minhas promessas de amor, as minhas palavras de fidelidade, de compreensão. Eu queria... E eu queria tanto que, de tanto querer, acabei me deixando perder do bem mais precioso que já tive: eu mesmo.
                Hello, stranger! Talvez você não se lembre de como me feriu. Talvez você esteja cansada de mim. Talvez você me ache um tolo. Talvez você continue a acreditar nas tuas verdades. Talvez você não acredite em mim – como não acreditou . Talvez você nunca tenha acreditado no meu amor. Talvez você nunca tenha acreditado no teu amor (?). Eu deveria não ter acreditado. Talvez você esteja cansada, ou sei lá. É tão difícil te definir, minha escuridão. É tão difícil descrever ou deduzir aquilo que se passa por essa tua cabeça perturbada, doentia e insana. Talvez você seja louca, louca de pedra. Talvez eu seja louco, louco de pedra por um dia ter amado você.
                Hello, stranger! Eu sempre acreditei na força das palavras. Sempre acreditei que elas são capazes de mudar o mundo e, enquanto eu te dedicava as minhas melhores palavras, eu tive de você o oposto: as palavras mais cruéis que um homem apaixonado pode ouvir da mulher amada. Foram palavras de desamor. Foram palavras de dúvida, de falta de compaixão, de falta de afeto. Foram palavras de falta de amor.
                Hello, stranger! Eu não consigo mais chorar. Talvez as minhas lágrimas tenham secado depois daqueles três longos dias – lembra do número três? –, talvez eu tenha cansado de sofrer, talvez eu tenha aprendido a mentir como você. Talvez eu tenha deixado a escuridão entrar em mim depois de tanto encará-la nos olhos; depois de tanto te encarar nos olhos. Talvez eu tenha me perdido um pouco de mim, ou melhor, talvez eu tenha me perdido um pouco daquilo que eu achava que eu era. Talvez eu finalmente tenha me encontrado, talvez eu esteja ocupado tentando me fazer feliz.
                Hello, stranger! Você se lembra do nosso primeiro olhar? E do nosso primeiro beijo? Lembra do abraço apertado e suado? Você lembra? Você se lembra de quando me olhou nos olhos e sorriu? Lembra? Você se lembra da época das flores? Você se lembra daquela primavera? Você se lembra do motivo de termos deixado, ou melhor, de você ter deixado que ficássemos resumidos a essas secas e quebradas folhas de louro? Você se lembra de como as tuas palavras me feriram? Você se lembra de como você me humilhou? Você lembra?
                Hello, stranger! Hoje eu queria esquecer. “Pra nunca esquecer”. Hoje eu queria me perder um pouco de mim, quem sabe beber, quem sabe sumir, quem sabe não pensar? Hoje eu queria poder esquecer a tua voz, o teu cheiro, as tuas palavras... As tuas (malditas) palavras! Foram elas as maiores armas que você apontou pra mim: as palavras. Lembra de quando você me procurava, me enchia de palavras de afeto e então desaparecia, como um fantasma?
                Hello, stranger! Hoje eu queria esquecer. Queria esquecer as mágoas, o sofrimento, queria esquecer as humilhações, as brigas. Eu queria esquecer de quando você duvidou de mim, de quando me comparou. Eu queria esquecer todas aquelas malditas palavras. Eu queria esquecer as boas lembranças, os nossos beijos e abraços, os amassos também. Eu queria, como eu queria, esquecer você.
                   (pausa)
                Hello, stranger! Talvez você não se lembre de como eu te amei. Talvez um dia você se recorde de mim como “aquele garoto bobo e inocente” que um dia você usou, que você iludiu. Talvez um dia eu seja o homem que você tanto dizia procurar, talvez um dia você seja a mulher que tanto acreditei existir. Talvez você nem se lembre de mim. Talvez você nem exista mais para mim.
                Hello, stranger! Acho que, no fundo, eu me apaixonei por uma estranha. Acho que você nunca mostrou-se pra mim verdadeiramente. Acho que, no fundo, você nunca foi aquela mulher que eu pensei amar. Que eu pensei amar (ou que eu amei?). Talvez eu tenha me apaixonado pela “garota do blog”, pela garota que nunca existiu.
                Hello, stranger! Perdoa essas minhas palavras. Elas são um simples desabafo. O desabafo de alguém que acredita ter desaprendido a escrever, um alguém que acredita ser incapaz de ser amado. Um alguém que aprendeu, da forma mais dura possível, como o amor pode nos machucar.
                Hello, stranger! Essa é a minha deixa, a minha despedida. É o meu “Felizes para sempre”. Talvez você não leia essas palavras, talvez leia. É tudo tão incerto agora. Aliás, acho que sempre foi. Com você sempre foi.
                Hello, stranger! Essas são as minhas últimas palavras para você. Palavras para te fazer lembrar sobre aquele lugar que só nós conhecemos. São palavras para te fazer um dia se lembrar de quem eu fui. Esse é o ponto final da nossa história e, para evitar que seja um “ponto de continuação”, eu irei rasgar essas páginas; irei queimá-las junto a essas folhas de louro.
                Hello, stranger! Essas palavras foram feitas para você. Pra (você) nunca esquecer que a culpa foi toda tua. Pra (você) nunca esquecer o quanto eu (acho que) amei você! Pra (eu) esquecer que um dia amei você.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

E que se ame! (ft. Ana Luíza Santana)


Música: Halo - Beyoncé

                Uma das maiores complicações existentes no mundo é definir, de uma forma universal, o amor. Para alguns, amor pode ser a presença; para outros, pode ser a presença mesmo na ausência; para outros, pode ser o sexo; para outros, pode ser o beijo; para outros pode ser a união de todas essas “definições” e ainda há aqueles que não concordem com nenhuma delas. A gramática me diz que a palavra amor é um substantivo abstrato, algo que não pode ser tocado. Discordo. Amor não é somente o sentimento, amor pode ser um desenho, uma música, um lugar; amor pode até estar personificado em alguém.
Parece, aliás, livro-me de incertezas e digo com toda a convicção que, sim, existe uma energia muito grande, uma força invisível entre duas pessoas que se amam. Quando perto, sinto o amor ao tocar. Ao beijar e abraçar. Ao olhar nos olhos e enxergar um brilho diferente. Sinto o amor quando penso que eu podia estar com qualquer outra pessoa no mundo, mas estou ali. Com aquela. Só com ela. E por quê? Por que aquela?  Nunca consigo responder totalmente isso. Porque se o amor é indefinido, seus derivados e consequências são quase sempre inexplicáveis.
Amor é querer ficar mesmo tendo que partir, mas levar consigo um pedaço daquela pessoa dentro de si – mesmo quando queremos levá-la por completo. Amor é você olhar para alguém – um alguém que você simplesmente conheceu; de uma forma especial ou não – e sorrir, simplesmente sorrir. Amor é quando o simples toque de duas mãos se faz suficiente. É quando o sexo não é algo apenas carnal, é transcendental. É quando o beijo te faz ouvir aqueles famosos sinos. É quando a vontade de abraçar se resume ao mais apertado dos abraços, um abraço tão apertado que te faz ter a vontade de nunca mais querer sair dali. Amor “é nunca contentar-se de contente”, “é querer estar preso por vontade”; como já diria Luís Vaz de Camões.
Entretanto, apesar de tudo, somente o amor não é suficiente para manter por muito tempo uma relação (seja ela qual for), e isso todos sabemos. Mas ele é tão nobre e foge de qualquer explicação definitiva racional, que somente através dele podemos extrair a capacidade e a força necessária para buscarmos achar ou criar as outras coisas necessárias para se manter alguém conosco por amor. Com amor. Olha que loucura! Somente do próprio amor podemos extrair os outros bens necessários para manter ele mesmo conosco. É, definitivamente, algo surreal. E é isso que o faz tão magnífico. Tão nobre. Tão digno de todo esforço e alegria para/ao tê-lo.  Isso faz dele algo para não se implorar e jamais se jogar fora. Amor é o paradoxo do furacão que nos invade e traz calmaria. É antítese da certeza e dúvida. Amar é bom. Ser amado é maravilhoso. Viver esse sentimento é inexplicável. Amor é aquilo que, por simplesmente existir, já nos faz feliz.  E que se ame e que se dane todo o resto que queira impedir isso. O que vale é amar!

Ana Luiza Santana é autora do blog Bagunça Boa!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Depois do Fim



                “Tudo tem um começo e um fim. Seja o amor, a dor, a vida. Até a morte, do ponto de vista espiritual, tem o seu fim. São passos, compassos, medidas, pesos, balanças; coisas que vão nos guiando aos tais finais, sejam eles felizes ou não.
                Eu defino a vida em ciclos, temporadas de uma ‘série’, coisas que começam de uma forma, terminam e, em seguida, recomeçam, iniciam-se novas histórias e por aí vai. Por mais que a série seja feliz e tenha boa audiência, existem coisas que acabam perdendo o seu valor ou a sua graça ao longo dela. Seja um amor, uma amizade ou outra, uma tristeza, um sonho ou um simples sorriso no rosto.
                Os finais sempre chegam.”
                 Quando comecei a escrever o trecho acima, minha mente refletia acerca de dois fins para mim: o de um amor e o de uma fase em que permiti que as opiniões alheias moldassem o meu futuro e o meu eu. Eu teria continuado esse texto se não fosse surpreendido pela notícia do internamento de uma tia e, consequentemente, a sua morte um dia depois.
                Peço desculpas àqueles que acreditam que certas coisas na vida não precisam ter um fim, mas eles são necessários. Imagina o quão entediante seria a vida se só tivéssemos momentos felizes? Imagina o quão banal seria a vida se ela fosse eterna? A graça do viver está presente na nossa luta diária por momentos que nos farão memoráveis após a nossa morte. A graça da felicidade é justamente fazer valer a pena todos aqueles momentos tristes e assim seguir com a vida, superando, aprendendo, tirando lições e tentando melhorar cada vez mais.
                Sempre achei banal a ideia de que “todos os finais deveriam ser felizes” porque, infelizmente, nem todos serão. O que vale a pena na vida não é esperar aquela felicidade de um final de filme ou de série; mas aproveitar o final, seja ele qual for, e fazer dele um novo começo, uma nova temporada, uma sequência... Fazer desse final uma nova vida!