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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Espelho



"E então te vejo. Me olho. Me perco. Desejo. Te quero. Espero. Sinto aquele vazio. Tão frio. E eis que, finalmente, recobro a consciência. Foi um sonho. Ou seria um pesadelo? Amar-te foi meu fardo. Agora, aqui, deitado, questiono meus sentimentos.
Meu amor foi verdadeiro e o seu sequer existiu. Palavras soltas ao vento. As quais, agora, espero que sejam levadas pelo tempo em direção ao esquecimento. Hoje não te vejo, já me encontrei. Ou reencontrei? Não te desejo, não te quero. Esperar jamais. Sobrou apenas o meu olhar para o espelho. As lágrimas, a barba, elas já não estão mais lá.
Saio, viro meu olhar e, quando menos esperar, ela estará lá. Alguém por quem nutrirei sentimentos quiçá mais fortes. Novamente me ouso à loucura do amor. Em meio a beijos e abraços, sinto que não sou mais o mesmo. Fujo, corro.
Desejo um coração mais frio. Não por você. E percebo que ele já tornou-se frio não por você, mas para você. Não estou mais aqui.
Te esqueço.
Amo. Sofro.
Amo. Sofro. Amo. Sofro.
Vivo.
Corro atrás da felicidade até então negada.
Me encontro."

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Anjos não morrem, voltam pra casa!



Hoje passei o dia pensando. Olhando para o nada e tentando enxergar a noite. Imaginei uma grande estrela no céu, a qual eu poderia olhar e dizer: é você, Cintia! Infelizmente o céu estava nublado. Como toda pessoa que ama criar textos e encaixá-los com a verdade, fiquei pensando: porque as estrelas não brilharam nessa noite? Estaria o céu triste?
Na realidade, eu acho que sei a resposta. É um pouco longa, eu sei, mas é a verdade. O céu acordou em uma imensa festa hoje, uma festa tão bela e animada assim como você, minha pequena. Só de lembrar do teu sorriso, do teu jeito agitado, da tua alegria sempre presente – até mesmo em momentos tristes –, fico com um sorriso bobo no rosto. Durante o dia, várias vezes senti meus olhos enxerem de lágrimas, mas elas não escorriam pelo meu rosto. Para alguns pode ter parecido frieza, insensibilidade ou o que quer que achem, mas, aqui dentro, eu não queria chorar. Eu não devia chorar. Quando penso na minha morte, penso em um velório com pessoas sorrindo, conversando, se divertindo... Acho que você também ia querer isso.
Lembro que sete anos atrás meu padrinho, nosso tio, morreu. Eu estava abalado. Tentei me manter forte durante todo o tempo e, ao fim daquele dia, eu chorei. Eu quis ser forte. Porém, sempre que eu me via pensando, lembro que você chegava com aquele sorriso de uma eterna criança, o jeito agitado e com aquele abraço tão gostoso, mas tão gostoso, que dava vontade de te segurar como uma boneca e te carregar por aí. Foi por isso que não quis chorar. Não quis chorar porque, a cada momento que eu pensava em você, eu me sentia feliz. Pude lembrar de cada momento que tivemos juntos e da sua alegria de viver.
Dentre todos esses momentos, o que mais me marcou foi um em especial: o motivo da única briga que tivemos. Lembro que você roubou uma foto HORRÍVEL minha comendo uma panqueca e fazendo careta. Você me deixou um bilhete dizendo que iria guardar e que jamais mostraria pra alguém. E em um dos nossos últimos encontros, você me disse que nunca mostrou. Você cumpriu a sua promessa.
Hoje o céu está em festa. As estrelas devem estar cansadas e esqueceram-se de brilhar. A chuva não foi feita de lágrimas, mas sim de suor, porque eu tenho a ABSOLUTA CERTEZA que você colocou todo mundo para dançar. Hoje a Terra está em lágrimas porque um verdadeiro anjo foi embora, um alguém tão especial que não esquecia de ninguém mesmo com a distância. O céu está em festa porque você voltou pra casa. Porque o lugar dos anjos é no céu. 

Opções


Ultimamente tenho me perguntando bastante sobre como lidar com o sofrimento, a dor e tudo aquilo que nos aflige. Como espírita, sei que tudo que passamos nessa vida é reflexo daquilo que fomos e/ou fizemos em vidas passadas e etc., porém, como ser humano, tais reflexos não são facilmente lidados.
Ao perder alguém, ao ser decepcionado, ao ouvir as mais duras palavras, sentimos um verdadeiro vazio em nosso peito. Um vazio que, se não for controlado, torna-se um buraco negro e acaba atraindo até mesmo os nossos sentimentos bons. De que adianta sermos um vazio completo?
Não lembro quem me disse tal frase, mas a ouvi no seriado Arrow e é a verdade: “A dor é inevitável, mas sofrer é opcional!”. Sempre vai haver dor, sempre vai haver alguém que te de desaponte, que destrua teus sentimentos, que sugue toda a sua vontade de viver ou até mesmo que a destrua. Porém, a forma como você vai reagir a essa dor depende de você. Sofrer pode parecer fácil. Ser a vítima é sempre mais fácil. O sofrimento nos consome, nos destrói. Ele é opcional. A felicidade também. 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Ame



Dói. Amar dói.
Não importa a intensidade, não importam as pessoas. Nada. Amor é um sentimento egoísta, é a necessidade de querer ter por perto aquele alguém tão especial que te faz sentir bem, feliz. Amar alguém nos torna “patéticos”, como diria Rita Lee, mas eu prefiro dizer que o amor nos dá coragem, nos dá a força necessária para viver, para enfrentar o mundo, se for preciso.
Quem dera amar alguém fosse uma escolha, uma alternativa marcada em uma questão de uma prova com a certeza de que aquela seria a resposta certa. Amar é um tiro no escuro, um tiro com um arco e flecha: precisa de força e precisão. Aliás, não! Deixemos a precisão de lado. Vamos amar! Quem precisa de razão e certeza?
Amar é como jogar-se em um rio de cabeça sem a certeza de que vamos batê-la em uma pedra. Amar é sobre correr riscos, é sobre ter a coragem necessária de viver ou morrer por alguém. O amor não precisa de certezas. Ame.
O amor não precisa ser egoísta. Amar é sobre altruísmo: é querer a felicidade do outro em primeiro lugar, mesmo que essa seja nos braços de um outro alguém. Por mais que você sofra, por mais que você chore todas as noites, por mais que você sinta um vazio torturante no teu peito... Um dia... Um dia alguém te enxergará com outros olhos, ocupará os espaços vazios entre os teus dedos perfeitamente, preencherá o teu peito. Um dia alguém vai te amar. E mesmo que esse dia não chegue, a esperança de encontrar alguém te fará lutar e amar as pessoas erradas. O que importa não é amar e ser correspondido. O que importa é amar.
Mesmo que seja sozinho.