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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Caminho



                Para muitos o entardecer é uma mensagem anunciando o fim do dia. Tento enxergar diferente. Afinal, não seria o começo da noite? Entre prédios e placas, eu me questiono: para onde estou indo?
                Até então eu não sabia, mas estava perdido. Estava envolto em um emaranhado de sentimentos e conflitos internos. Eu não sabia qual placa seguir, qual parada obrigatória respeitar ou, até mesmo, qual sinal eu deveria invadir.
                Por meses eu estive imerso em lágrimas, medo e inseguranças; e foi ali que eu percebi o quão arriscado pode ser amar. Não! Hoje não quero falar deste sentimento insano e doente que nos torna “dependentes” da presença, do amor ou da indiferença de alguém.
                O anoitecer não é a perda da beleza do dia, é a oportunidade de enxergar um novo mundo onde as luzes da cidade irão brilhar e se mesclar com a beleza das estrelas e da lua.
                Tanto no amor quanto na vida, a ideia de recomeçar assusta e tende a nos sufocar. O “novo” é um mar obscuro onde os mais corajosos se ousam a navegar. Ainda não sei para onde vou, mas quero, com toda certeza, ser feliz.

sábado, 26 de setembro de 2015

Questionamentos Sobre o Amor



                Que tipo de amor é esse? Que tipo de amor é esse que machuca, humilha, espanca, destrói? Que tipo de amor é esse que deseja ver o outro humilhado? Que tipo de amor é esse que torce contra você, contra teus sonhos? Que tipo de amor é esse que, em vez de se resguardar, torna-se superficial?
                Que tipo de gente é essa? Que tipo de gente é essa que diz que ama e magoa? Que tipo de gente é essa que diz que ama, mas, na primeira oportunidade, trai? Que tipo de gente é essa que diz que ama e é incapaz de não amar os próprios pais? Que tipo de gente é essa que diz que ama e faz questão de te diminuir, te menosprezar? Que tipo de gente é essa que diz que ama e te faz acreditar ser a pior das pessoas? Que tipo de gente é essa que diz que ama e faz questão de olhar para um novo alguém enquanto está ao seu lado?
                Que tipo de amor egoísta é esse? Que tipo de gente é essa que diz que ama e é egoísta?
                Existem pessoas que não sabem amar. Amor não é somente construído. Amor pode ser encontrado num simples encontro na rua, num simples olhar cruzado dentro do ônibus ou, até mesmo, pela televisão. Amor pode nascer com um simples “Oi!” ou um abraço. Amor pode existir há anos e, somente naquele momento, ser descoberto como amor. Amor não machuca, não fere, e, quando passa a te ferir, deixou de ser amor. É doença.
                Amor é sobre felicidade, sobre confiança, carinho, afeto, tesão, paixão, tudo. Não importa o tempo. Amor pode surgir em 10 minutos, em 10 anos, em 10 vidas... Vai ser amor enquanto te fizer feliz, enquanto houver todos os “requisitos” para felicidade a dois. E que sejamos todos felizes, sem medos, conceitos, preconceitos e, o mais importante: com coragem! 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Sobre Finais Felizes



                Os carros passam com suas buzinas exageradas. As pessoas, apressadas, correm sem nem olhar para o lado. É tarde. Noite de Natal e é tarde. E eu ali, a única pessoa em um restaurante meio vintage. Provavelmente os funcionários cuspirão em meus pratos e minhas bebidas, mas eu não me incomodo. Não mais.
                É engraçado como as pessoas correm para suas casas nessas noites. Há esperança nelas. Há uma esperança de que, naquela noite, tudo seja perfeito. Seus maridos, esposas, filhos, avós, netos, pais, irmãos; todos eles serão as melhores pessoas do mundo. Todos colocarão sorrisos estampados na face e gritarão mensagens de paz, amor, felicidade, realizações e blá blá blá. No dia seguinte, todos vestirão suas roupas comuns, tirarão suas máscaras e mostrarão suas verdadeiras faces repletas de arrogância, egoísmo e superficialidade.
                Cá estou eu, na noite de Natal, sozinho em um restaurante qualquer apenas observando as pessoas que passam. Meu vinho faz morada naquela taça há cerca de vinte minutos. Eu estou sozinho. Na realidade, eu estou sozinho há um bom tempo. Essa parece uma das cenas que tanto imaginei para a minha vida: eu, um mero coadjuvante da minha própria história, sozinho, na cena final, apenas esperando os créditos aparecerem para que eu possa deixar de existir, para que toda a minha existência tenha sido em vão e que, no fim, todos se lembrem apenas dos protagonistas. Eu não sou o protagonista.
                Esse é o meu “final feliz”. Um “final feliz” encontrado por um autor meia-boca qualquer que, insistentemente, quis dar um final a um personagem que apenas serviu de impulso e de clímax para os protagonistas que, a essa hora, estarão curtindo um beijo debaixo da chuva (não está chovendo aqui, mas lá estará), ou quem sabe estarão fazendo sexo no banheiro de um avião, chegando a um destino exótico, tendo aquelas belíssimas cenas de finais de filmes. E eu aqui... Em um restaurante qualquer, sozinho, com uma taça de vinho e uma lágrima relutante em cair, afinal, dizem que homem não chora, mas nesses filmes temos de colocar um homem sofrendo para mostrar que nós somos passíveis à dor do amor. Para minha sorte, o autor vai colocar uma bela e excitante mulher para entrar a qualquer minuto pela porta – especificamente na minha frente – e ela virá em câmera lenta e sorriremos um para o outro, dando a entender que eu, o coadjuvante bundão e idiota, tive um final feliz.
                Puta merda! Como podemos acreditar nesses finais? Eu não terei o meu final feliz. Não aparecerá ninguém por aquela porta. Seremos eu, os funcionários e as pessoas que passarão. Eu provavelmente irei chorar copiosamente, irei sair do restaurante e seguir pelas ruas com a postura firme até chegar em casa, onde chorarei mais e mais, por dias e dias, beberei todas as minhas bebidas... Até que, quando eu ver que estou no fundo do poço, irei levantar, fazer a barba, me olhar no espelho, colocar uma roupa melhor e sair para trabalhar. Os livros e filmes não contarão isso, mas esse será o meu “final feliz”. Um final que nunca será imaginado, nunca será escrito. E eu serei lembrado apenas como aquele que esteve ao lado da mocinha e que foi altruísta o suficiente para deixá-la ir ou como aquele cara que foi largado por uma protagonista babaca, sem caráter e egoísta, que apenas me iludiu durante uma parte do filme.
                Não sei. Acho que seja a hora d’eu pegar a caneta e mudar os rumos da história. Escrever um novo final, um final diferente, divertido e ousado.
                Um final para mim.
                O meu final feliz. 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Esperança



                - Então é isso, meu bem. Chegou ao fim... – Ele olhou sua esposa ali, inerte, morta, sem reação alguma além de um sorriso bobo no rosto.
                A morte o surpreendera, aliás, os surpreendera. Em menos de uma semana, Isabella passou de uma mulher extraordinariamente comum a um cadáver. Para ele, ela continuaria a ser, para sempre, aquela mulher por quem ele se apaixonara naquele dia de inverno, onde uma chuva os deixara ilhados em um pequeno mercado. Ele a ajudou, ela sorriu; ele conversou, ela respondeu; ele lhe deu o número de seu telefone, ela o ligou; ele a chamou pra sair, ela aceitou; ele sorriu, ela o beijou; ele a amou, ela o correspondeu; ele a pediu em casamento e ela aceitou. Seis anos foram suficientes para uma das mais belas histórias de amor que ambos jamais poderiam imaginar. Uma história repleta de acasos, amor e deliciosos momentos a dois.
                A morte os surpreendera tanto quanto a vida. A vida a dois que eles jamais imaginaram, os sorrisos que eles jamais pensaram em dar, os beijos que eles jamais esperaram, as brigas que eles jamais quiseram, os sonhos que jamais sonharam. Agora, tudo se resumia a ele, em frente ao um caixão, e ela ali, serena, inerte, pálida, mas com aquele mesmo sorriso estampado na gélida face, o mesmo sorriso de quando se conheceram, com as roupas molhadas, com o desespero estampado na face. Agora, o desespero era outro e ele se sentia da mesma forma que antes: sem rumo. Da outra vez, ele não sabia se seria levado por uma correnteza, agora ele tinha a certeza de que fora levado pela pior e mais devastadora de todas as correntezas: a morte, a morte que levara a mulher de sua vida, o seu grande amor.
                A morte os surpreendera tanto que o fez enxergar que aquela era uma vida boa, que, com todas aquelas brigas comuns, ele era feliz. Agora era tarde. Agora não havia mais saída, não havia mais um portão para se segurar e escapar da correnteza. Agora, o seu portão, o seu alicerce havia partido. Agora, a sua chance era encontrar um portão dentro de si, um lugar seguro e onde pudesse hoje, amanhã e sempre, encontrar a força necessária para sobreviver.
                – Chegou ao fim... – Ele tocou naquela mesma mão de antes e chorou, chorou como quem nunca tivera chorado. Era um choro repleto de dor e paixão, um choro jamais sentido por ele. Porém, no fundo ele sabia que a vida ainda o surpreenderia, não necessariamente com um amor, mas com boas novas lembranças. Havia esperança nele, havia uma doce esperança que, mesmo oprimida, esperava apenas o momento ideal para se manifestar. Esperança. A esperança que todos nós precisamos. A que todos nós queremos.

sábado, 12 de setembro de 2015

(Des)amor



                “Então é isso? Quer dizer que todos aqueles sonhos e planos não passaram de uma mentira? Será que todo esse egoísmo estava presente desde o início, mas, só agora, eu fui capaz de enxergar? Será que todas aquelas palavras de amor foram ditas em vão? Será que, realmente, todo aquele sonho se tornou esse pesadelo? Será que todo o teu lado cruel foi capaz de me fazer esquecer todo o amor que senti por você?
                A tua insensatez, a tua estupidez, o teu egoísmo, o meu masoquismo, esse amor sem pé nem cabeça, sem nexo. O meu eu lírico que clamava por um amor tão intenso quanto o nosso simplesmente deixou de existir, deixou de acreditar na possibilidade de amar. Será que vale a pena esse negócio de amar alguém?
                A culpa é tua! É toda tua! Todo esse teu lado egoísta, cruel, sádico, que me fizeram enxergar, em tão pouco tempo, que a pessoa que amei nunca existiu. Era só uma carapaça, um exoesqueleto para agradar a quem quer que fosse e que escondia, no seu interior, um demônio, uma cruel criatura capaz de humilhar e fazer sofrer a pessoa que você “mais amou na tua vida” (em tuas palavras).
                Eu me arrependo! Me arrependo amargamente de ter te amado, de ter compartilhado momentos ao teu lado, de todas as juras de amor, de todos os beijos, de todas as palavras de afeto. Me arrependo de ter entregado meu coração nas mãos de alguém tão incapaz de enxergar e viver a beleza do amor. Eu me arrependo de ter te amado e, enquanto eu viver, eu vou fazer questão de dizer que você nunca foi nem meu melhor nem meu pior amor, mas sim que você nunca existiu.”

terça-feira, 1 de setembro de 2015

"Scream": Hipótese sobre o assassino!


Para comemorar os três anos do nosso blog, a partir de agora passaremos a postar resenhas e críticas sobre filmes, séries e livros. Não vamos estabelecer uma meta de frequência, mas passaremos a postar comentários, como o de hoje sobre a série Scream.
•••
                Inspirada nos filmes de mesmo nome (dirigidos por Wes Craven e escritos por Kevin Williamson), a série Scream dividiu muitas opiniões desde o início da sua temporada. Apesar de alguns acharem que falta terror e que parece mais um drama juvenil, a série tem agradado a MTV norte-americana, que renovou a série para uma segunda temporada.
                A série começa com um vídeo viral de Audrey (Bex Taylor-Klaus), onde ela e sua namorada Rachel (Sosie Bacon) estão se beijando em um carro. A partir daí, uma onda de crimes se inicia na pequena Lakewood. Logo no início do primeiro episódio, vemos a cena da morte de Nina (Bella Thorne), uma garota popular na escola, e de Tyler (Max Lloyd-Jones). Os dois são uns dos responsáveis pelo vídeo de Audrey e Rachel.
                Com o início das mortes, passamos a conhecer melhor a protagonista, Emma (Willa Fitzgerald), que namora Will (Connor Weil). Além desses personagens, temos ainda Noah (John Karna), um nerd amigo de Audrey que é viciado em assassinos em série; Brooke (Carlson Young), uma típica patricinha que tem um caso com o professor Branson (Bobby Campo); Kieran (Amadeus Serafini), o filho do xerife Hudson (Jason Wiles) que é namoradinho da mãe de Emma, Maggie (Tracy Middendorf); e Jake (Tom Maden), um valentão meio abobalhado que não tem função nenhuma na série e que, mesmo assim é personagem principal (?).
                O que Emma não esperava era que ela fosse o ponto de conexão entre os assassinatos atuais e os assassinatos de quase 20 anos atrás, quando o psicopata Brandon James matou vários jovens na cidade. E é esse o ponto chave da série: a ligação entre Emma, Maggie (sua mãe, que foi o grande amor de Brandon James) e os assassinatos. Com o final da série chegando hoje à noite, várias hipóteses surgiram pela internet e é ÓBVIO que eu não iria deixar de fora as minhas.

ATENÇÃO! O TEXTO ABAIXO CONTÉM SPOILERS!

                Como todos sabem, Maggie/Daisy teve um filho/filha com Brandon James e Emma suspeita que seu irmão ou irmã seja o(a) responsável pelos assassinatos. Acredito que existam dois assassinos e percebo que há uma forte conexão entre a série Scream e um episódio da série Stalker (criada pelo mesmo criador do filme Scream, Kevin Williamson). Em um dos episódios de Stalker, uma jovem adolescente começa a ser perseguida por alguém e, ao final do episódio, descobre-se que sua melhor amiga, na realidade, é uma irmã mais velha sua que foi abandonada pela mãe em um orfanato, tal como Maggie fez com seu/sua primogênito(a).
                Acredito que o bebê de Brandon e Maggie seja um dos responsáveis pelo assassinato. Associo isso ao fato de que, pela ordem cronológica, a criança teria hoje uns 21 anos (já que Brandon foi morto em 1994), e 5 anos depois Maggie teve Emma. Além disso, a minha outra hipótese é de que a segunda temporada seja focada na presença do filho de Maggie e Brandon. Vamos a minha teoria:
                Seguindo a linha “filho de Brandon e Daisy”, acredito que Piper Shaw (Amelia Rose Blaire) (a nossa versão 2015 de Gale Weathers) seja a irmã de Emma e a assassina. Em um episódio, Emma sonha que ela mesma é a assassina e eu fiquei extremamente confuso achando que era Piper. Vamos aos motivos:
- Piper é realmente parecida com Emma.
- A associação com o episódio de Stalker é válida.
- No episódio 1, Noah fala que “o assassino não é tão importante” e nem os motivos, mas sim a dor que ele causa. Piper aparece apenas no episódio 2.
- Piper, junto a Jake e Brooke são os ÚNICOS personagens que ficaram cara a cara com o assassino, foram atacados por ele, mas não morreram.
                Se pararmos para analisar, todas as vítimas foram amigos de Emma: Nina, Tyler, Riley e Will. Exceto Rachel foge a essa regra, o que seria explicado pelo seguinte: na noite da festa no lago, Audrey passa e se bate em Jake, ele teria matado Rachel por vingança e de forma a parecer que ela teria se suicidado. Isso explicaria a surprese de Piper ao descobrir que a morte de Rachel estava sendo investigada. Já Brooke quase foi morta duas vezes, mas teria sido salva por Jake, que é visivelmente apaixonado por ela. Isso também explicaria o motivo do Mr. Branson e Audrey terem sido colocados como culpados ao decorrer da série.
                Na noite do boliche, quando Jake foi esfaqueado, o ferimento não atingiu nenhum órgão vital. Isso lembra o filme Scream.
                Outro fato que chama a atenção é que Pipper disse que seu pai foi assassinado. Além disso, ela é SEMPRE solícita com Emma e sempre traz uma novidade para ajudá-la. Não é mesmo? Acho que, no fundo, ela não queira ferir a irmã, mas sim ter a sua atenção.
                Essa hipótese se reforça ainda mais com o teaser (assista AQUI) do episódio final. TODOS os jovens são mostrados, exceto Piper. Além de que, quando o assassino está tirando a máscara, dá para perceber um volume na região dos seios.

Nota: Antes desse texto ser finalizado, hoje, foi divulgada no domingo a morte do diretor Wes Craven, um dos maiores nomes do cinema mundial e o maior nome do gênero terror para mim.