Lembranças
Hoje eu resolvi te escrever. Na verdade, já te escrevo há um tempo, mas nunca tive coragem de enviar o que quer que seja. Nem carta, nem mensagem, nem mesmo um mísero sinal de fumaça. Talvez por medo ou por auto-preservação. Não sei. Ainda não consigo definir e, muito menos, entender.
Te escrevo para dizer que ainda lembro de você. Lembro dos nossos beijos, dos nossos abraços, das nossas ideias, dos nossos sonhos. Lembro das lembranças, do teu sorriso, do meu sorriso ao pensar em você. Lembro de tantas coisas que sinto que eu poderia explodir a qualquer momento, como se o meu coração fosse simplesmente rasgar o meu peito e pulsar externamente a mim. Infelizmente eu ainda não consigo esquecer.
Lembro dos teus dedos entrelaçados aos meus, das promessas, dos desejos, do teu toque, do teu gosto. Lembro, lembro, lembro, mesmo sem querer lembrar e, quando me pego lembrando, me culpo por tal. Acabo lembrando novamente, mas, dessa vez, com culpa, com medo, com saudade, com mágoa. Eu não queria lembrar.
É estranho dizer que se quer esquecer alguém. Afinal de contas, isso é praticamente impossível. Também não creio que consigamos esquecer totalmente aquilo que foi vivido ao lado de alguém. Talvez o tempo seja capaz de jogar novas memórias por cima dessas, mas, ainda assim, ele é incapaz de enterrar tudo aquilo para sempre.
Hoje eu lembrei de você. Lembrei com tanto carinho que o meu coração acelerou fortemente. Em seguida, ele parou e, por um instante, por um mísero instante, eu rezei para que você estivesse ao meu lado, segurando minha mão e me abraçando tal qual você costumava fazer.
Talvez seja utópico demais pensar que "nós" ainda possa existir, mas se pudesse, se fosse real, se essa possibilidade existisse, talvez eu te escrevesse uma carta como essa e deixasse, ao final dela, escrito com uma bela grafia, "come and get me", tal qual nas histórias de amor que um dia tanto sonhei viver.
De todo modo, fico aqui, com o coração na mão, juntando os pequenos pedaços do que sobrou. A cada dia melhor que o anterior. Sobrevivendo à beleza e ao caos do que um dia foi amar você e do que é, diariamente, lembrar de você.
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