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Despedida

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Hoje eu decidi me despedir de você. Acho que não há mais motivos para nos mantermos próximos um do outro. São mágoas constantes, de ambas as partes, e parecemos nos repelir mais do que duas partículas de mesmo sinal – sim, eu ainda me lembro das aulas de física. Acho que tudo começou errado. Talvez eu, o mais racional de nós dois, devesse ter, lá atrás, encerrado todo aquele papo inicial, as conversas até tarde da noite, as músicas compartilhadas, os escritos trocados. Teria sido tudo tão diferente. Talvez para melhor. Por mais que nos afastemos constantemente – como as tais partículas de mesmo sinal –, acredito que somos mais diferentes do que pensávamos. Você e a sua intensidade, eu e a minha calmaria. Você, explosão. Eu, implosão. Talvez seja melhor realmente nos despedirmos. Não sei se consigo lidar por muito mais tempo com todo esse comportamento de querer sem querer, de jogar comigo nas horas que bem entende e me fazer como um vassalo dos teus sentimentos. Talvez eu tam...

Dica de Série: Upload (2020)

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“Upload” é uma série de ficção científica lançada pelo Prime Vídeo em 1º de Maio de 2020. A trama se passa em 2033, onde pessoas podem optar por fazer upload para um espaço digital do “pós-vida”. É isso o que acontece com Nathan Brown (Robbie Amell), um jovem programador que sofre um acidente de carro e que fica entre a vida e a morte. Por pressão de sua namorada, Ingrid (Allegra Edwards), Nathan aceita fazer upload para Lakeview. É lá onde ele conhece Nora (Andy Allo), o seu “Anjo”, a pessoa responsável pelo suporte técnico para ele nesse paraíso digital. Ao realizar o upload de Nathan, Nora descobre que algumas memórias dele foram danificadas, levando-a a suspeitar que ele fora assassinado. Com a proximidade entre eles, os dois passam a nutrir sentimentos um pelo outro, o que é perigoso tanto para Nora – que pode perder seu emprego por conta disso – quanto para Nathan – que pode ser apagado a qualquer momento por sua namorada, uma vez que é ela quem paga a sua estadia em Lakeview. CO...

Sentimento #015 – A Solidão das Nossas Dores

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“Justamente naquela época Drogo deu-se conta de que os homens, ainda que possam se querer bem, permanecem sempre distantes; que, se alguém sofre, a dor é totalmente sua, ninguém mais pode tomar para si uma mínima parte dela; que, se alguém sofre, os outros não vão sofrer por isso, ainda que o amor seja grande, e é isso o que causa a solidão na vida.” – Dino Buzzati (em O Deserto dos Tártaros) Uma das coisas mais dolorosas que percebi ao longo da vida foi que estamos realmente sozinhos. Por mais que tenhamos amigos, parentes, amores... No fim das contas, estamos sós. Talvez achem essa minha constatação um tanto quanto pessimista – e talvez ela o seja, mas a considero mais como perturbadora. Porém, a verdade é que até podemos ter pessoas ao nosso lado, nos apoiando, nos aconselhando, nos ouvindo, mas, no fim das contas, ninguém será capaz de sentir as nossas dores. Por maior que seja a empatia ou a dedicação em tentar nos acolher, ninguém conseguirá sentir na pele aquilo que sentimentos....

Nota Mental nº 300

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Dia desses me questionei sobre mim. Ao me olhar no espelho, não fui capaz de me reconhecer mais. Parece haver, no lugar do meu reflexo, um outro eu, um alguém que não consigo mais identificar. O cansaço, as dores, as marcas; tudo parece ter tomado conta de mim. E eu? Por tanto tempo me doei aos outros, ao mundo, à vida... E eu? Pareço ter me esquecido justamente do que mais deveria me importar naquele momento. De mim mesmo. Resolvi então me cuidar. Busquei fórmulas, receitas, sugestões. Nada. Nada parecia me caber. Eu. Uma velha máquina enferrujada que necessitava de reparos, de cuidados... Cuidado... Palavra bonita. Ao longo da vida pude experimentar doses de cuidado. Aos amigos, aos amores, aos parentes, aos clientes, aos... E eu? Quando devo ter cuidado de mim? Talvez naquela viagem ou naquela tarde qualquer em que me permiti devorar uma obra de Ágatha Christie com fervor ou quando me permiti assistir a todos os filmes que se encontravam na minha lista ou quando eu simplesmente não ...

Dica de Filme: Diário de uma Paixão (2004)

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“Diário de uma Paixão” é um filme lançado em 2004 inspirado no livro homônimo de Nicholas Sparks. Na trama, acompanhamos a história de amor entre Noah (Ryan Gosling) e Allie (Rachel McAdams). Os dois se apaixonam e iniciam um relacionamento intenso, mas repleto de idas e vindas. Antes de o verão acabar, os pais de Allie passam a se opor ao relacionamento e a levam embora da pequena Seabrook. Noah envia cartas para sua amada, mas após não receber nenhuma resposta, resolve seguir sua vida. Sete anos depois, prestes a se casar com Lon (James Marsden), Allie vê a foto de Noah no jornal junto à casa que ele prometeu um dia reformar. Ela resolve ir atrás dele, o que faz com que a chama da paixão de anos antes volte a se acender, deixando Allie dividida entre o seu antigo amor e o seu novo amor. COMENTÁRIO: Não sei porque motivo eu não havia visto esse filme antes. A história de amor entre Noah e Allie é simplesmente fantástica e possui fortes doses de realidade, o que torna a relação deles a...

Sentimento #014 – Pelos Amores Reais

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“Nada do que eu já fiz me agrada. E o que eu fiz com amor, estraçalhou-se. Nem amar eu sabia, nem amar eu sabia.” - Clarice Lispector Desde pequenos, somos ensinados que o amor é a mais bela coisa que se pode existir. E, de fato, ele o é. Porém, discordo desse amor idealizado com o qual parecem nos condicionar. Talvez seja por isso que encontremos tantas e tantas pessoas com os corações partidos. Somos ensinados a idealizar. Seja nos filmes, nos livros ou, até mesmo, nas falas cotidianas, sempre nos é mostrado um amor que, acredito eu, seja incapaz de existir. O amor não te isenta de erros. Amar não é simplesmente errar e pedir perdão a cada erro, muito menos é perdoar todas as coisas que alguém faz conosco e que nos magoaram pelo simples ideal de que “o amor tudo suporta”. Isso é cruel. Terrivelmente cruel. Acredito que seríamos muito mais saudáveis se não fôssemos enganados com as histórias românticas idealizadas de amores eternos e perfeitos. Se existe um amor ideal e pe...

Sentir Outra Vez

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Volta e meia costumo pensar se eu gostaria ou não de ter o poder de voltar no tempo. Ao mesmo tempo em que sou grato por ser quem sou – mesmo com todas as coisas ruins que já me aconteceram –, penso em como tudo poderia ser diferente. Talvez eu fosse mais feliz, mais alegre, mais amado... Tantas e tantas possibilidades que me fazem me questionar sobre quem sou, o que vivi e o que ainda poderei viver. Trata-se de um jogo de forças que me puxa em direções contrárias – e não são apenas duas, mas várias. Se por um lado pareço aceitar o que me aconteceu, por outro penso em como tudo poderia ser diferente. No amor e na amizade, por exemplo, se eu não tivesse vivenciado tantas traições e mentiras, eu poderia ser menos “quebrado” do que sou. Ao mesmo tempo, talvez eu conseguisse ainda acreditar com mais facilidade nas pessoas ao meu redor... Talvez eu conseguisse acreditar ainda, com aquela força e paixão do passado, na amizade e no amor. Tudo seria diferente... Porém, talvez eu não estivesse ...