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Sentimento #007 - O Passar do Tempo

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  “A um certo momento batem às nossas costas um pesado portão, fecham-no a uma velocidade fulminante, e não há tempo de volta” “[...] o que era bom ficou para trás, muito para trás, e ele passou adiante, sem dar por isso. Ah, é demasiado tarde para voltar [...]” - Dino Buzzati (em O Deserto dos Tártaros) Ainda me lembro, com precisão, de certos momentos de minha vida – tanto dos bons, quanto dos ruins. Em certas horas, o tempo parece passar tão vagarosamente; e, então, como num piscar de olhos, tudo aquilo passou, ficou para trás. Histórias que se findaram, amizades que partiram, pessoas queridas que morreram, vidas que seguiram em frente e que não mais se cruzaram com as nossas. É estranho pensar que o mesmo tempo, que em certas horas parece se arrastar, pouco tempo depois já terá seguido o seu curso e não mais poderá voltar. O futuro tornar-se-á presente e este será reduzido a uma simples lembrança. O tempo voa, urge, e nos mostra, seja com o apodrecer de uma maçã ou com ...

Quando Tudo Isso Começou

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Quando tudo isso começou, eu estava perdido. Para além do medo e da incerteza sobre o mundo lá fora, eu estava longe de mim mesmo. Eu não sabia o que eu queria, havia perdido o interesse por inúmeras coisas que eu achava que nem pudessem existir mais. Eu tinha medo – não que hoje eu o tenha perdido; ele ainda está aqui. Eram vinte e quatro horas de insegurança, de pânico, de não saber o que poderia acontecer comigo ou com as pessoas que eu amo. Era tudo tão complicado... Era tudo tão assustador. As horas passavam vagarosamente. Eu conseguia fazer mil e uma coisas durante um dia na tentativa de simplesmente não pensar. Os jornais me assustavam. Eu os evitava. Os infectados, os mortos, até mesmo os curados me causavam terror. Era como se eu, mesmo que não saindo de casa, não pudesse mais ter controle de nada. Era como se a minha pele, as roupas e as máscaras não fossem capazes de conter o vírus e me proteger. Qualquer necessidade de sair era vista com pavor. Um dia, assustado, lave...

Dica de Livro: Apenas Amigos (2020)

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  A indicação de hoje é uma comemoração aos três meses de lançamento do meu primeiro livro: Apenas Amigos! Eduardo e Mariana se conhecem desde a infância e, com o passar dos anos, acabaram se tornando melhores amigos. Durante a adolescência, ele se apaixonou por ela, mas nunca teve coragem para se declarar. Agora que ela terminou um relacionamento, Eduardo vê a oportunidade de finalmente ter uma chance com aquela mulher que ele amou por quase metade da sua vida. Entre o medo e a insegurança, entre o desejo e a paixão, entre a amizade e o amor, ele resolve, finalmente, lutar por aquele sentimento, sem imaginar que a vida ainda pode lhe pregar algumas surpresas. Autor: Aníbal Bastos O livro encontra-se disponível no formato eBook pela Amazon e é gratuito para assinantes do Kindle Unlimited.

Sentimento #006 – Sobre a Dor

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  “Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.” - William Shakespeare Acho terrível essa mania moderna de diminuir as dores alheias. “Vai passar”, “Não pense nisso”, “Deixa pra lá”, “Ignora”, “Porque você não tenta esquecer?” Na falta de melhores palavras, nos massacram com a nossa própria impotência diante daquilo que nos aflige. “Mas tudo passa”, “Nada é eterno”... Tantas e tantas palavras jogadas, mas, aqui dentro, a dor se mantém e insiste. Ela me rasga, me devora, me amarga, me amassa, me arrasa. Por que eu não consigo simplesmente esquecer ou deixar para lá como tantas pessoas me dizem? Acredito que, no fundo, é muito mais fácil falar das dores alheias como se elas não fossem terríveis. É difícil se colocar no lugar do outro, é difícil imaginar aquilo que o outro sente e, talvez, seja, até mesmo, impossível esse exercício. Acho que, no fim das contas, é como nos é colocado na fenomenologia: cada um experiencia o mundo de uma forma única, diferente. ...

Nosso Adeus

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Eu não consigo elaborar com precisão a ideia de que um dia perdi você. Acho que, na verdade, a gente não tem como perder aquilo que não se tem e, felizmente, pessoas não pertencem a outras pessoas. Somos livres para ser, para amar, para viver e, até mesmo, para partir. Acho que aquela foi uma das maiores dores que já vivenciei. Foi como se todos os meus sonhos e ilusões – não apenas contigo, mas de um “felizes para sempre” – tivessem escoado pelas minhas mãos. Como é que a gente pode querer ter aquilo que não se pode ter? Aos poucos eu fui aprendendo que amar não é sobre posse e acredito que isso deveria ser ensinado desde a nossa infância – o que eu acredito que pouparia inúmeras crises. O fato é que, independente da sua vontade de ficar ou não, eu nunca entendi o porquê de você ter partido. Não sei se foi porque você se cansou, se conheceu um outro alguém, se simplesmente queria ficar só, se havia algum problema que não queria compartilhar comigo... Tantos e tantos cenários que me tr...

Dica de Filme: Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (2009)

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  Rebecca Bloomwood (Isla Fisher) é uma jornalista apaixonada por moda que se vê imersa em dívidas devido à sua compulsão por compras. Quando a revista para a qual trabalha é fechada, Becky resolve investir numa vaga de emprego para a sua revista de moda favorita: a Alette. Porém, por ironia do destino, ela acaba indo trabalhar justamente numa revista de finanças comandada por Luke Brandon (Hugh Dancy). Enquanto tenta se manter no emprego – sem saber absolutamente nada sobre economia –, ela acaba cativando o público com a sua escrita de fácil acesso sobre o mundo financeiro – baseada em sua própria experiência. À medida que cresce como “A Garota da Echarpe Verde”, Rebecca precisar enfrentar três desafios: sustentar as próprias mentiras, fugir do cobrador que a persegue e lutar contra os sentimentos que começam a florescer pelo seu chefe.   Avaliação no IMDb – 5,9/10 Avaliação no Rotten Tomatoes – 25% Classificação: 10 anos Duração: 1h42min Elenco: Isla Fisher, Hugh D...

Sentimento #005 – Sobre o Amor

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  “Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?” - Fernando Pessoa Acredito nas palavras de quem declara o amor. Não naqueles que machucam porque dizem amar. Para mim, o amor encontra-se nas pequenas coisas, nos detalhes, nas sutilezas, num “Bom dia!” despretensioso, num “Se cuida!” na despedida. Amar, para mim, é algo único. Não existe comparações. Há quem ame com intensidade, há quem ame com calmaria. Acredito, entretanto, que amar é a simples atitude do cuidado para com o outro, seja junto à paixão, à amizade, ao carinho, ao afeto. Ao olharmos uma parede branca, sabemos que ela é branca porque assim nos ensinaram. Mas e o amor? Quem nos ensina o que é o amor? Parece que, ao longo da vida, vamos descobrindo, aos poucos, sobre que tipo de amor somos capazes de ofertar e o tipo de amor que acreditamos merecer. Não é exato como a parede branca – convencionada de ta...