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O Garoto Com o Coração Vazio

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Era uma vez um garoto, um garoto com o coração vazio. Era um garoto que queria ser amado. De tanto desejar isso, teve dois amores. Ao fim, ficou só. Essa é a história de um garoto que tinha medo de amar, medo de ser feliz. Essa é a história de alguém que não teve um “felizes para sempre”, mas sim um “feliz por agora”. A história do “garoto com o coração vazio” não será vendida. Todos querem histórias de amor, mas todos fecham os olhos para as consequências de amar. Afinal, quem deseja histórias de homens e mulheres solitários? Quem deseja a história de homens e mulheres livres? Quem deseja histórias sem beijos debaixo da chuva, um encontro secreto, uma fuga para um abraço apertado, um simples beijo roubado? Todas as boas histórias são vendidas pelo amor. O “garoto com o coração vazio” vai permanecer vazio. Por um mês ou dois, por três anos ou mais. Quem sabe por uma vida inteira? Ele permanecerá assim até o dia em que se perceber digno de amor, em que passar a se amar, a se reconhe...

Carta Para Você

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Faz tempo que não te vejo. Mais de um ano, sendo mais preciso. Eu pensei em fazer uma carta padrão, mas não tenho saco. Essa é uma carta pra você, o alguém que não vejo há mais de um ano, um alguém que me alegra, que me diz o que preciso ouvir, o que quero ouvir, o alguém que me compreende, que me motiva, que me excita, que me provoca, que me comove, me desloca da minha zona de conforto. É você o alguém de quem sinto falta. É teu o abraço que me faz rir e chorar ao mesmo tempo – e até me motiva a te fazer cócegas. Acho que a nossa amizade foi inesperada, foi surpreendente, mágica. Duas criaturas tão parecidas, tão diferentes e... Merda! Eu não consigo saber se somos mais parecidos ou diferentes. Acho que somos um ponto de equilíbrio: o explosivo e a pacifista, dois escritores, dois amantes da vida, de músicas melancólicas, o romântico e a independente, o chorão e a risonha (a risada de hiena mais linda o mundo). Duas pessoas com humor ácido, sinceridade e que, mesmo que a verdade seja ...

Sentir

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Então é isso? Todos esses sentimentos, esse medo, essa angústia... É dessa saudade que falam? Ah! Como é bom poder deitar nas tuas palavras, que sempre me acalmam... Como é bom ter aqui, comigo, os teus abraços fraternos, os teus beijos eternos em um piscar de olhos. Os teus olhos, a minha janela... Querer te encontrar, roubar todos os beijos possíveis e os impossíveis, sentir os teus dedos se entrelaçando aos meus em um encaixe mais do que especial. Perfeito. A saudade aperta. Para muitos pode ser tão pouco, a distância, o tempo... Tudo tão pouco, mas não menos intenso. Acho que é isso que significa gostar de alguém. Acho que é isso querer poder te abraçar, te beijar, sentir o teu calor, sentir meu coração pulsar rapidamente, parar bruscamente e ainda assim continuar a viver. Eu quero buscar você. Buscar os nossos momentos, matar a nossa saudade, deixar que a realidade se faça presente. Eu quero sentir a minha mão tremer, o meu coração bater. Eu quero encontrar o teu olhar. Eu só quer...

Pinóquio

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Acho que, na infância, todos tínhamos algum desejo oculto. Muitos queriam ser um super-herói – eu, por exemplo, desejava ser o Tai, de Digimon; não julguem –, outros queriam algum brinquedo... No fundo, o que eu mais desejava era que os meus bonecos falassem. Acho que, por ser filho único, por não ter tantos amigos e por não me identificar com a maioria das pessoas da minha idade, eu criei o meu “infinito particular”. Gostava de viver entre bonecos, livros e qualquer objeto que eu pudesse transformar em um castelo, uma fortaleza... O que eu quisesse. Dentre todas as histórias que li, a que eu mais gostava era a do Pinóquio, o boneco que queria ser gente e que não poderia mentir. Sempre fui um inimigo das mentiras. Até mesmo das pequenas. Recentemente, ao caminhar, uma notícia pairava em minha mente: “Morre o Ken Humano!”. Ironia. Morre o Pinóquio moderno: o homem – ou garoto – que queria ser boneco. De fato, minha comparação parecia ser sincera: a história estava invertida. Creio que...

Arco-Íris

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O tempo passa, assim como as pessoas, os carros e seus motores, a vida. Tudo caminha em direção a algum lugar. Eu me sinto parado, preso, gélido, assustado, com medo. Medo... Dizem que, à medida que envelhecemos, ele para de nos controlar. Pura mentira. Medo de morrer, de envelhecer, de sofrer, de amar, de viver. Tantos e tantos medos. Da janela do meu quarto, eu vejo o tempo passar. A clausura me tornou inerte, frio, apático e, até mesmo, insensível. Uma criança presa no corpo de um homem com a alma de um velho. Sonhos presos no corpo de quem pode realizá-los, mas está cansado demais. A velha coragem freada pela mente de um jovem assustado. Agora chove. Em contrapartida ao meu frio coração está o calor de uma cidade tipicamente tropical. Um homem recluso em um lugar onde tudo vira festa. Perdoem-me, meus compatriotas, mas não estou disposto a viver tamanha felicidade gratuita. Sou um homem das palavras, cercado de âncoras e freios. Âncoras e freios. Estou preso e minhas forças esv...

Little Hell

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Parado como o tempo. Inerte. Preso em conflitos. Eu grito. Tempo, tormento, sofrimento. Pensamento. Não há como fugir dos próprios julgamentos, medos, ou seja lá o que for. Afinal, a que ponto chegamos? Paro. Penso. Não compreendo. Como alguém – justo eu – pode se tornar tão refém de pensamentos? Haverá ainda alguma escapatória para essas amarras? Haverá ainda alguma saída deste pequeno inferno? Por favor, não pense. Não tente. Não são apenas medos bobos e tolos. Medos somos capazes de enfrentar. São lembranças. Dessas não podemos fugir. Texto Originalmente publicado em 28 de abril de 2015. Revisado em 27 de dezembro de 2020.

Sobre a Estúpida Ideia de Amar

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Certa vez me perguntaram qual meu “filme romântico favorito”. Ao se deparar com a minha resposta, a pessoa simplesmente me olhou com uma cara de desprezo e disse: “Você não sabe o que é amor!”. Parei e pensei: “Será que eu realmente não sei o que é amor?”. Fiquei com aquele questionamento na cabeça por alguns dias até, finalmente, descobrir que eu não sabia o que era amor, mas que aquele filme tratava a história de um amor que eu gostaria de viver, uma história real, onde nem sempre podemos ter finais felizes. Podem me chamar de masoquista, negativo ou qualquer merda que quiserem, mas para mim, a melhor história de amor já contada é a do filme “Um Amor Para Recordar” (coloquem “P.S.: Eu te amo!” praticamente empatado com ele). Sempre fui daquelas pessoas que acreditam em amores verdadeiros. Ao contrário dos demais garotos, eu não queria ser um super-herói, não queria sair batendo em vários vilões ou coisa do tipo. Pelo contrário, meu sonho era ser um príncipe. Sempre que vivia uma pa...