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Lembrar

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Música: I Remember - Damien Rice                 “Eu consigo me lembrar da primeira vez que eu te vi. Era noite, seus cabelos ao vento, delicadamente penteados. E eu ali, um completo estranho que estava completamente encantado com o teu sorriso e com o teu olhar.                 Lembro do primeiro abraço, do primeiro adeus, do primeiro beijo, do primeiro beijo de verdade, do primeiro toque de mãos, da primeira música, da primeira briga, da primeira vez que você me magoou, da primeira vez que você disse gostar de mim e eu me lembro, com precisão, da primeira vez que você partiu o meu coração. E não foi a última...                 Talvez eu tenha errado comigo. Talvez tenha sido masoquismo insistir nesse amor tão sem cabimento, insistir nesse sentimento que – mesmo contra a minha vont...

Será "amizade"?

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Acho que eu deixei o meu altruísmo e a minha bondade falarem mais alto. Após tantas decepções, após tantas pessoas egoístas ao meu redor; talvez eu tenha deixado que as minhas melhores qualidades fossem capazes de me matar aos poucos. Creio que, ao longo dos últimos anos, eu tenha deixado morrer uma parte do que eu era, uma parte do que eu queria ser e uma parte do que eu poderia ser. Foram muitas decepções. Vi amigos tornarem-se distantes – mesmo com minhas tentativas de resgatar tais amizades –, vi amigos tornarem-se completos estranhos, vi amigos que, simplesmente, passaram a não se importar comigo. Talvez esse tenha sido o meu erro: talvez eu tenha ajudado demais os outros e esperado que, quando eu precisasse, eles estivessem ali comigo. Aos poucos fui descobrindo uma das coisas mais dolorosas que eu poderia descobrir: a palavra “amizade” tem perdido o seu valor – ou pelo menos ela tenha perdido o valor para aqueles que um dia chamei de “amigos”. Vivemos em um mundo regido pelo...

Talvez(es)

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Talvez eu seja um monstro. Talvez eu seja aquele tipo de pessoa que fere com palavras (o pior tipo de pessoa, cá entre nós). Talvez eu seja egoísta. Talvez eu seja o tipo de pessoa que você disse que eu sou. Talvez eu seja um homem frio. Talvez eu seja cruel. Talvez eu não saiba amar. Talvez, talvez, talvez... Talvez eu nunca tenha amado. Ou melhor, talvez eu nunca tenha sido amado. Talvez eu erre demais. Talvez eu persista nos meus erros demais. Talvez os meus erros façam parte de mim (desculpa, mas não sou perfeito). Talvez eu persista em ser quem eu sou. Talvez eu não goste de me perder de mim (redundante, eu sei). Talvez eu não queira deixar de ser quem eu sou. E talvez, por isso, eu sou tão julgado. Talvez eu seja uma boa pessoa. E talvez, por isso, eu seja tão facilmente magoado. Talvez o erro seja única e exclusivamente meu – meu erro de esperar o melhor das pessoas. Talvez o mundo tenha mudado a sua trajetória e eu fiquei parado em algum ...

Para Esquecer

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Hello, stranger! Lembra de mim? Sou eu, aquele alguém que você um dia disse gostar. Hello, stranger! Talvez o tempo tenha passado. Aliás, acho que ele passou. Um mês? Um ano? Perdi as contas. Justo eu, sempre tão preciso com datas e palavras, acabei me tornando refém delas... Refém da falta de tempo e da falta de palavras. Hello, stranger! Eu me lembro bem da nossa última conversa. Lembro das minhas palavras de ódio, lembro de como eu me irritei com você por descobrir coisas que até o diabo duvidaria. Eu me lembro tão bem daqueles dias, daquela primavera ensolarada em que te conheci. Parece até que foi ontem. Parece até que foi um ano atrás. Eu me lembro das minhas juras de amor e dos teus pedidos de “Não me prometa nada!”. Eu não devia ter prometido. Não por mim, mas por você. Eu queria ter cumprido as minhas promessas de amor, as minhas palavras de fidelidade, de compreensão. Eu queria... E eu queria tanto que, de tanto querer, acabei me deixando perder do bem mais precioso que j...

E que se ame! (ft. Ana Luíza Santana)

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Uma das maiores complicações existentes no mundo é definir, de uma forma universal, o amor. Para alguns, amor pode ser a presença; para outros, pode ser a presença mesmo na ausência; para outros, pode ser o sexo; para outros, pode ser o beijo; para outros pode ser a união de todas essas “definições” e ainda há aqueles que não concordem com nenhuma delas. A gramática me diz que a palavra amor é um substantivo abstrato, algo que não pode ser tocado. Discordo. Amor não é somente o sentimento, amor pode ser um desenho, uma música, um lugar; amor pode até estar personificado em alguém. Parece, aliás, livro-me de incertezas e digo com toda a convicção que, sim, existe uma energia muito grande, uma força invisível entre duas pessoas que se amam. Quando perto, sinto o amor ao tocar. Ao beijar e abraçar. Ao olhar nos olhos e enxergar um brilho diferente. Sinto o amor quando penso que eu podia estar com qualquer outra pessoa no mundo, mas estou ali. Com aquela. Só com ela. E por quê? Por que a...

Depois do Fim

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“Tudo tem um começo e um fim. Seja o amor, a dor, a vida. Até a morte, do ponto de vista espiritual, tem o seu fim. São passos, compassos, medidas, pesos, balanças; coisas que vão nos guiando aos tais finais, sejam eles felizes ou não. Eu defino a vida em ciclos, temporadas de uma ‘série’, coisas que começam de uma forma, terminam e, em seguida, recomeçam, iniciam-se novas histórias e por aí vai. Por mais que a série seja feliz e tenha boa audiência, existem coisas que acabam perdendo o seu valor ou a sua graça ao longo dela. Seja um amor, uma amizade ou outra, uma tristeza, um sonho ou um simples sorriso no rosto. Os finais sempre chegam.” Quando comecei a escrever o trecho acima, refletia acerca de dois fins para mim: o de um amor e o de uma fase em que permiti que as opiniões alheias moldassem o meu futuro e o meu eu. Eu teria continuado esse texto se não fosse surpreendido pela notícia do internamento de uma tia e, consequentemente, a sua morte um dia depois. Peço desculpas...

Epílogo

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As folhas caíam das árvores naquele parque. Em suas mãos, um pequeno caderno onde ele fazia questão de escrever na última página uma reflexão acerca dos finais que o cercavam nos últimos dias. Era como o fim de uma história, era como se todos os seus sonhos tivessem chegado ao fim. – É como o fim de um livro... – Ele lamentou inutilmente para si. Começou escrevendo sobre os finais tristes que haviam acontecido. Para ele, havia a morte de alguém que sofria há muito tempo. As lágrimas não desceram. Ele pensou em como aquilo tudo era um alívio para a dor daquela pessoa querida. Por outro lado, ele havia chorado inconsolavelmente por – pela segunda vez – ter tido seu coração partido por aquela que ele mais amou. – Mais uma vez... – Ele lamentou novamente. Uma lágrima insistiu em escorrer pelo seu rosto e ele deixou que ela rolasse. Não havia ali mais vergonha de chorar. Ele abraçara a sua humanidade e se permitira debulhar em lágrimas mesmo que não fosse uma “atitude de homem”. Ele...